Como a geopolítica ameaça o comércio global
Uma das áreas mais sensíveis à geopolítica atual é a logística internacional. Tensões entre os Estados Unidos e a China e crescentes conflitos armados entre nações têm desencadeado um cenário volátil geopoliticamente. Mas o que é geopolítica? É uma área de estudo que analisa o modo como fatores econômicos, geográficos e demográficos podem influenciar as tomadas de decisões políticas de uma nação. E, com certeza, estão influenciando.
A globalização econômica preza pela integração e interdependência das economias mundiais, aumentando o comércio de bens, serviços, tecnologia e capital, reduzindo barreiras comerciais e facilitando a atuação de corporações transnacionais. Porém, essa prática tem sofrido alguns reveses. Nos últimos anos, decisões políticas têm causado guerras e conflitos no âmbito do comércio internacional. Essas mesmas decisões têm afetado duramente o fluxo global de mercadorias e as cadeias de suprimentos.
Portos e canais são as artérias vitais da logística internacional, onde o controle geopolítico dita o ritmo do comércio. Um único bloqueio nesses pontos cruciais é suficiente para gerar um efeito cascata de desequilíbrio inflacionário e logístico em escala mundial. Ataques no Mar Vermelho, por exemplo, ocorrem desde 2023 e têm causado suspenções temporárias da rota pelo Canal de Suez, refletindo em aumento de até 14 dias no tempo de transporte, elevando o custo dos fretes.
Outro ponto crucial, muito comentado atualmente, é o fechamento do Estreito de Ormuz: 33 quilômetros de passagem marítima por onde passam cerca de 20% do petróleo mundial, que tem causado uma crise energética internacional, elevando o preço do barril para mais de US$ 100.
Além disso, as cadeias de suprimento têm se mostrado vulneráveis devido a problemas geopolíticos. A guerra entre Rússia e Ucrânia tem afetado cadeias de fornecimento essenciais, como a de fertilizantes e grãos, prejudicando a produção agrícola em diversos países.
E não são apenas os conflitos de guerra que afetam a cadeia de suprimentos: a disputa entre Estados Unidos e China pelo domínio da produção de semicondutores também preocupa o mercado global, já que qualquer restrição no fornecimento de chips impacta setores como eletrônicos, automóveis e telecomunicações.
O que fazer em um cenário efervescente como esse? É fato que profissionais de logística e supply chain de todos os países devem estar buscando alternativas. O Brasil, por exemplo, fez um acordo com a Turquia, que passa a ser uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz para exportações do agronegócio, de acordo com o Ministério da Agricultura. Entre as principais estratégias adotadas globalmente estão:
Diversificação de fornecedores, reduzindo a dependência de uma única região ou país; Mapeamento contínuo de riscos geopolíticos, permitindo antecipação de crises; Aumento de estoques estratégicos para itens críticos; Regionalização e nearshoring, aproximando a produção dos mercados consumidores.
A geopolítica impacta decisões comerciais, circulação de cargas e riscos no mercado internacional. Profissionais de logística e supply chain devem antecipar cenários, gerir riscos e diversificar fornecedores e rotas, pois a inteligência geopolítica é vital em um comércio global incerto.
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