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Os impactos da guerra para os negócios

Efeitos ultrapassam fronteiras e se espalham por todo o sistema econômico mundial
Os impactos da guerra para os negócios
Conflito no Oriente Médio tem potencial para afetar a economia global | Foto: Majid Asgaripour / Wana / Reuters

Mesmo quando ocorrem longe de grandes centros econômicos, guerras nunca são eventos isolados. Os efeitos ultrapassam fronteiras e se espalham por todo o sistema econômico global. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), conflitos geopolíticos relevantes podem reduzir o crescimento global em até 1 ponto percentual no curto prazo, dependendo da intensidade e da duração.

Na prática, isso se traduz em instabilidade nas cadeias de suprimento, aumento da volatilidade de custos e maior dificuldade de planejamento. Isso foi notado após o início da Invasão da Ucrânia pela Rússia, que levou a uma disparada nos preços de energia na Europa e pressionou a inflação na região. Em 2022, a zona do euro registrou inflação superior a 10% ao ano, segundo o Banco Central Europeu, um patamar elevado para o bloco.

No entanto, o principal efeito das guerras está na percepção de risco. Empresas passam a adotar posturas cautelosas. De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), períodos de incerteza geopolítica costumam estar associados a quedas nos níveis de investimento privado.

Contudo, há uma leitura menos óbvia desse mesmo cenário. A insegurança, embora desconfortável, pode funcionar como um catalisador de mudanças estruturais. Empresas são forçadas a revisar estratégias, fortalecer governanças e, principalmente, diversificar riscos. Nesse contexto, a internacionalização deixa de ser apenas uma alavanca de crescimento e passa a ser vista como uma ferramenta de proteção.

Relatórios recentes da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento indicam que, mesmo em cenários de alta volatilidade, empresas presentes em múltiplos mercados tendem a ser mais resilientes e adaptáveis. No Brasil, esse fenômeno sinaliza um impacto importante na lógica empresarial. Historicamente, crises impulsionam saltos estratégicos: a escassez de petróleo nos anos 70 levou à criação do Proálcool, enquanto a recente ruptura das cadeias globais na pandemia acelerou o nearshoring, permitindo que indústrias brasileiras ocupassem lacunas deixadas por fornecedores asiáticos no mercado externo.

Mesmo diante de desafios como complexidade tributária e insegurança jurídica, o Brasil é um caso de antifragilidade. Enquanto mercados europeus tendem a paralisar diante da imprevisibilidade, o empreendedor brasileiro aprendeu a precificar o imprevisto. A capacidade do país de operar sob pressão não é mais uma carência; tornou-se diferencial competitivo. O que antes era visto como um fardo doméstico, hoje é a lição que oferecemos ao mercado global: a prosperidade não depende da ausência de riscos, mas da maestria em geri-los.

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