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Não, o Itacolomi não!

Exploração minerária até os contrafortes do Pico do Itacolomi, em Ouro Preto, Patrimônio Cultural da Humanidade, é motivo de preocupação
Não, o Itacolomi não!
Foto: Evandro Rodney

“Impactos irreversíveis nos recursos hídricos” (uma das muitas objeções levantadas pelo IEF)

Poderosos grupos econômicos, com participação estrangeira, planejam implantar empreendimento de grande porte expandindo a exploração minerária até os contrafortes do Pico do Itacolomi, em Ouro Preto, Patrimônio Cultural da Humanidade. A iniciativa não agrega nada à causa do desenvolvimento econômico e social. Muito antes pelo contrário, como era de costume dizer-se em tempos de antigamente.

Ambientalistas, especialistas em preservação da natureza, além de moradores da região, confessam-se bastante apreensivos. Alimentam temores quanto aos impactos que possam derivar da proposição, em fase de estudos avançados, ainda no aguardo da palavra final dos órgãos reguladores da atividade de mineração. Não há que falar em progresso. O caso é mais de “estupro ambiental”. Mais um! É o que assinalam os opositores da ideia de estender ao icônico Parque do Itacolomi as predatórias marcas da terra inclementemente revolvida à cata das riquezas do dadivoso subsolo.

Moradores das comunidades vêm oferecendo tenaz resistência ao projeto. As empresas cogitam “minerar” próximo às ruínas históricas da fazenda Tesoureiro. O IEF manifesta-se contrário.

Ambientalistas e moradores de Lavras Novas, Chapada, Santo Antônio do Salto e Itatiaia tomaram conhecimento das objeções do IEF quanto ao Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima), em que se proclama a viabilidade do projeto. A contestação do órgão está resumida numa ampla lista de alegações, entre as quais: o projeto está situado na zona de amortecimento do Parque; o local é um corredor ecológico; os impactos serão danosos ao turismo, espécies vegetais, animais e recursos hídricos; a localização é contígua ao córrego Belém que forma a cachoeira dos Prazeres e da represa do Custódio (afluentes da bacia do rio Doce); o tráfego de caminhões será prejudicial às estradas e vias de monitoramento de incêndio.

Afora os riscos enumerados, é de se sopesar os prejuízos ao bem-estar e aos negócios dos moradores dos povoados, destinos turísticos reconhecidos nacionalmente. A ação minerária pretendida retirará 800 mil toneladas de minério por ano, o que exigirá 300 viagens por dia em carretas, com 30 a 40 toneladas de minério cada.

Os pontos arguidos, parte do volumoso questionamento ao empreendimento, capaz de desfigurar a bela paisagem do Parque do Itacolomi, recomendam posicionamento vigoroso dos poderes competentes de modo a garantir uma tomada de decisão que confira primazia absoluta aos valores culturais e socioambientais sobre quaisquer outros interesses.

A questão em tela, trazendo inapelavelmente à lembrança momentos dolorosos do passado recente da exploração mineral nas Gerais, levanta um brado enfático: Não, o Itacolomi não!

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