Uns e outros fatos palpitantes
“Para os vorazes, dinheiro é fim absoluto, ruína vira oportunidade e a poeira, mais um lucrativo negócio” (Anna Maya)
Farejador de bons negócios. O presidente Trump sabe farejar como ninguém um bom negócio, nas circunstâncias mais singulares. Num dado momento do conflito em Gaza, que se espicha até agora de forma trágica, ele desenhou na imaginação e tornou pública, sem nenhum constrangimento, a ideia de que a região poderia se aprestar, esplendidamente, para empreendimento turístico de alta sofisticação. Ofereceu-se, sem maiores rodeios, para tocar como empresário bem-sucedido nos ramos imobiliário e turístico todo o complexo de obras. Chegou até a exibir maquete do projeto. Já agora, finda a Copa do Mundo de futebol que galvanizou as atenções mundiais, impressionado com os cifrões que o esporte das multidões movimenta, o negociador nato mirou chance de ouro no sentido de aplicar seus conhecimentos empresariais em uma nova área altamente promissora de bons negócios. Valendo-se do bom relacionamento que estabeleceu com a cúpula da Fifa, que o presenteou com o inédito troféu “Benfeitor da Paz” e que aceitou, solicitamente, vários conselhos por ele dados sobre mudanças de regras dos jogos, propôs ao órgão supremo do futebol a terceirização de todas as atividades negociais à volta das competições. Indicou sócios e parentes para cuidarem desse “negócio da China”, só não se sabe bem para quem. A Fifa adorou a ideia, mas as confederações associadas, a começar pela Uefa (Europa), se opuseram com veemência à terceirização pretendida pelo ocupante da Casa Branca.
Sem justificativa. Está certo. O ex-presidente Bolsonaro é useiro e vezeiro em artimanhas que violam normas disciplinares aplicáveis à prisão domiciliar. A recente história do arsenal apreendido em seu poder representa uma ilustração surreal, provavelmente nunca dantes registrada na crônica carcerária. Trapalhadas estridentes à parte, não há como, todavia, deixar de reconhecer que a restrição oposta pelo STF a contatos dos filhos com o pai recluso, como acaba de ocorrer por ocasião do Dia dos Pais, não encontra respaldo no bom senso, na legislação e nos preceitos humanísticos.
Órgão do Estado. É justo admitir que a Polícia Federal vem cumprindo exemplarmente seu papel nas investigações que lhe são confiadas. O correto é atuar sempre dentro das atribuições como órgão do Estado que é, nunca como órgão de governo, sujeito a movimentações ditadas, às vezes, por conveniências políticas equivocadas. Nesses dois casos de averiguações pertinentes à conduta do filho do presidente Lula e do ex-chefe de gabinete, citados como suspeitos de práticas delituosas no chamado “escândalo do INSS”, impõe-se esclarecer “tim-tim por tim-tim” todo o enredo sob exame. É o que espera a opinião pública com a certeza de que os fatos sejam mostrados com solar clareza.
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