COTAÇÃO DE 26/07/2021

DÓLAR COMERCIAL

COMPRA: R$5,1740

VENDA: R$5,1740

DÓLAR TURISMO

COMPRA: R$5,1630

VENDA: R$5,3400

EURO

COMPRA: R$6,1233

VENDA: R$6,1261

OURO NY

U$1.797,46

OURO BM&F (g)

R$299,92 (g)

BOVESPA

+0,76

POUPANÇA

0,2446%

OFERECIMENTO

INFORMAÇÕES DO DOLAR

Opinião Opinião-destaque
banco central
Crédito: Antonio Cruz/ABr

Guilherme Almeida*

Pouco mais de 30 anos. Foi o que precisou o Senado para aprovar, por 56 votos a 12, um projeto que, dentre outras matérias, provê autonomia ao Banco Central do Brasil (Bacen). O tema, votado no início de novembro, foi deixado de lado por muito tempo. Embora bastante discutida no campo teórico, a medida só voltou à tona por fazer parte das propostas do ministro da Economia, Paulo Guedes.

PUBLICIDADE

Em geral, Bancos Centrais possuem o objetivo primário de manter a estabilidade dos preços na economia. Por vezes, essa busca pode ser influenciada por ingerências políticas, enviesando a condução da política monetária. Nesse sentido, surge a ideia de autonomia da autoridade monetária, não tão liberal quanto à independência, mas que garante mais credibilidade na condução das ações.

Há diversas fundamentações teóricas acerca do assunto, com destaque para duas ideias. A primeira se baseia no viés inflacionário decorrente da falta de credibilidade de uma política monetária voltada à estabilidade de preços. Esse descrédito advém da busca de inúmeros objetivos que, não raro, podem esbarrar nesse propósito. Desta forma, a delegação da política monetária a um Banco Central autônomo visa solidificar a credibilidade, intensificando o controle da inflação de forma a manter o produto e a taxa de desemprego próximos da tendência de longo prazo.

A segunda teoria está amparada na flutuação econômica decorrente dos ciclos econômico e político. Nesse escopo, a delegação da política monetária a uma autoridade autônoma visa reduzir a influência política e, desta forma, amenizar a flutuação econômica.

A credibilidade, neste caso, tem papel fundamental nessa retórica. Sua ausência acarreta maior custo para manter a inflação baixa ou reduzi-la, caso esteja em altos patamares. Esse custo mede, basicamente, a perda produtiva ou a taxa de desemprego decorrente da política monetária para o controle inflacionário. Nesse cenário, se os agentes econômicos não creem na condução da política pelo Bacen, as expectativas de inflação se deterioram, estimulando uma política mais restritiva.

Como o tema colocado em votação foi a autonomia operacional do Banco Central, o governo – por meio, principalmente, do Conselho Monetário Nacional (CMN) – continuará definindo as regras da política monetária do País. Com isso, restará à autoridade monetária a escolha dos instrumentos a serem utilizados para atingir os alvos estabelecidos pela equipe econômica.

O dispositivo aprovado também destaca a ampliação dos objetivos da instituição. Para além do target oficial de controle inflacionário, o Bacen deve buscar a suavização das flutuações do nível de atividade econômica, zelar pela solidez e eficiência do Sistema Financeiro Nacional e estimular o pleno emprego. Essa ampliação é vista, em parte, com bons olhos, pois sua autonomia pode levar à excessiva valorização do controle da inflação e, por consequência, a custos desnecessários em termos de produção e à elevação da taxa de desemprego.

O projeto de lei ainda será votado pela Câmara dos Deputados. No entanto, já é possível afirmar: a credibilidade da política monetária proporcionada pela autonomia do Banco Central permitirá ao País atingir mais estabilidade de preços e mitigar os efeitos negativos dos choques econômicos sobre a produção e o desemprego.

*Economista-chefe da Fecomércio MG guilhermealmeida@fecomercio.org.br

Ao comentar você concorda com os Termos de Uso. Os comentários não representam a opinião do portal Diário do Comércio. A responsabilidade sob qualquer informação divulgada é do autor da mensagem.

COMPARTILHE

NEWSLETTER

Fique por dentro de tudo que acontece no cenário economico do Estado

CONTEÚDO RELACIONADO

OUTROS CONTEÚDOS

PRODUZIDO EM

MINAS GERAIS

COMPARTILHE

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no telegram

Comunicar erro

Identificou algo e gostaria de compartilhar com a nossa equipe?
Utilize o formulário abaixo!