Crédito: Diego de Simoni

José Eloy dos Santos Cardoso*

Ausente das páginas deste jornal, por receio do Covid-19, de quem sou assíduo colaborador desde os tempos de seu fundador José Costa, ainda nos tempos do Informador Comercial, que foi o embrião do, hoje, melhor jornal especializado do País, Diário do Comércio, tenho a honra de ser um de seus mais antigos colaboradores.

Conto, pelo menos, mais de 40 anos de colaborações ininterruptas.

O Covid-19 forçou-me uma parada nos meus artigos, mas não nas minhas ideias desenvolvimentistas.

A nova presidente Adriana Muls, sucessora de Luiz Carlos Costa, continuou e sequenciou os trabalhos de seus antecessores e, ao lado da editora executiva, Luciana Montes, e também do seu editor de Opinião, continuaram e até melhoraram o conteúdo e a qualidade do jornal.

O Sul de Minas, impulsionado pelos seus prefeitos e colaboradores, continua a fazer essa importante região importante para o Estado, apesar da pandemia do coronavírus.

O articulista César Vanucci, sempre entusiasmado com o ex-presidente empreendedor Juscelino Kubitschek, foi brilhante em artigo recente publicado no DC com o título “O fascínio eterno de JK”. E ele está coberto de razão. Igual Juscelino, o Brasil não teve outro grande presidente desenvolvimentista, infelizmente.

Também tenho um fascínio pelas coisas referentes ao desenvolvimento de Minas Gerais. Até explico o porquê.

Os municípios de Extrema, Pouso Alegre, Uberlândia, Uberaba, Montes Claros e Juiz de Fora nunca desanimam sobre assuntos relativos ao desenvolvimento econômico e regional e criação de empregos.

Tomados pelas inteligências locais e muito bem situados às margens da rodovia BR-381, por exemplo, também conhecida como a rodovia de ligação entre Belo Horizonte e São Paulo, os municípios do Sul do Estado continuam se aproveitando da invejada localização para promover o crescimento e o desenvolvimento daqueles municípios. Em tempos de coronavírus, essa notícia é importantíssima.

Tanto Pouso Alegre como Extrema possuem distritos e áreas industriais em franco desenvolvimento. Como antigo técnico, gerente do Departamento Econômico e assessor da presidência da extinta Cia. de Distritos Industriais de Minas Gerais – Cdimg, infelizmente extinta e incorporada sem maiores estudos técnicos pela Codemig, em governos anteriores, nada ou muito pouco fizeram para que a alavancagem industrial promovida pela Cdimg produzisse efeitos muito maiores do que aqueles que foram alcançados.

Extrema e Pouso Alegre não possuem os mesmos dinamismos, rendas e até incentivos fiscais iguais aqueles municípios de Uberaba e Uberlândia. As iniciativas do que acontecem nos municípios de Extrema e Pouso Alegre, foram diferentes das dos municípios do Triângulo.

Felizmente, os municípios do Sul mineiro parecem que estão se reinventando industrialmente. Por exemplo, Extrema está recebendo um projeto logístico importante de R$ 350 milhões com potencial de gerar 5 mil novos empregos. Abrigará um condomínio industrial e logístico que está sendo comandado por três tradicionais empresas do setor imobiliário empresarial com início de obras previsto para o mês de setembro próximo.

As operações deverão ser iniciadas no início de 2021. Segundo o secretário de Desenvolvimento Econômico e Empreendedorismo do município, Adriano Carvalho, o empreendimento está sendo batizado de BIP Business Park-Extrema, ocupando uma área total de 691 mil metros quadrados e, área bruta locável de 170 mil metros quadrados, ou 25% do local.

Outro grupo importante é o XCMG S.A, que é o banco do grupo chinês Xuzhou Construction Machinery Group (XCMG), que já iniciou operações poucos dias atrás. Sua sede é em Pouso Alegre e seu escritório de contato é em São Paulo. As expectativas são movimentar até R$ 500 milhões/ano, apesar do Covid-19. O gerente financeiro do grupo no Brasil, Way Chien, destaca que as estratégias de mercado continuam as mesmas.

O XCMG é a primeira instituição financeira de capital estrangeiro integral a conseguir autorização do Banco Central para seu funcionamento. Em 2014, foi que o grupo industrial inaugurou o Parque Industrial em Pouco Alegre, recebendo investimentos de R$ 500 milhões.

O grupo já está fabricando em Pouso Alegre retroescavadeiras, escavadeiras, guindastes, perfuratrizes e motoniveladoras. O que mais motivou e incentivou a instalação em Minas Gerais foram os atrativos e incentivos fiscais mineiros.

No passado, esses atrativos foram os principais motivos que impulsionaram o desenvolvimento mineiro nos anos 70/80. Basta analisarmos o Produto Interno Bruto (PIB) dessas duas décadas que chegaram a superar em duas vezes mais os valores médios brasileiros. Naqueles anos, Minas Gerais não brincou em serviço.

*Economista, professor titular de introdução à economia da PUC-Minas e jornalista