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Crédito: Reprodução

José Eloy dos Santos Cardoso*

Estamos ainda nos tempos de Brasil Império ou que nosso País ainda está vivendo os tempos do Ato Institucional  nº 5, o AI-5, onde qualquer um que ousasse desobedecer a normas estabelecidas, atos ou ordens superiores poderiam imediatamente ser conduzidos aos quartéis do Exército para responder aos atos julgados inadequados.

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São essas coisas que levam um desembargador paulista ainda viver a síndrome do “você sabe com quem está falando?” Após chamar um guarda municipal de “analfabeto” e jogar na cara dele sua carteira, jogar no chão após rasgar e humilhar a multa depois da pessoa que cumpriu seu dever de cobrar de uma pessoa desmascarada, por ela ter descumprido decreto que obrigava todos se proteger e proteger os outros a seu redor do pandemônio Covid-19, podemos ainda dizer que esse desembargador ainda tem sorte por ainda vivermos em um País com democracia.

Se ele ainda vivesse no tempo do AI-5, seria fatalmente preso e conduzido a um quartel do Exército por descumprimento ao que determinava o governo. Ele responderia a seus atos se ainda vivesse naquela época.

O elitismo é cruel nos tempos de pandemia, quando percebemos que esse mal que ainda invade o mundo é ainda mais devastador entre os menos favorecidos. O IBGE mostra que mais de 50% dos infectados não tem nenhuma instrução ou, no máximo, o ensino médio incompleto e que cada 7 entre 10 vítimas do coronavírus são pretos, pardos ou pobres. São tristes essas estatísticas, mas são verdadeiras.

A dificuldade, como no caso do desembargador, está em conter os irresponsáveis que se recusam a cumprir as regras, quando apenas acreditam que a proteção de Deus é capaz de evitar o contágio que se acham ungidos, por isso dispensados em seguirem as regras dos homens. Mesmo seguindo os protocolos sanitários determinados, estamos ainda muito longe de iniciar a chamada curva descendente para o qual, infelizmente, estamos inteiramente despreparados.

Voltando ao caso do desembargador paulista, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já assumiu as investigações, agora é hora, portanto, de o Brasil se reinventar. Parte dos brasileiros ainda não tem freios que os obriguem a seguir medidas sanitárias e o respeito a normas traçadas a partir de parâmetros científicos que buscam, pelo menos, controlar a disseminação do vírus, mas o que estamos sendo informados pela imprensa em geral e mostrados para a população rebelde que não está usando máscaras e ainda se comportando como se nada de anormal esteja acontecendo, é que nem tudo vai bem entre nós.

Quando vemos um cidadão agredir um motorista de ônibus que está exigindo dos passageiros o uso de máscaras, um magistrado humilhar um agente da guarda municipal, ver um presidente da República sem máscara se transformar em um garoto-propaganda de um medicamento comprovadamente ineficaz, vemos claramente que estamos ainda estamos em um País sem rumos.

Mudanças de comportamento da população é coisa de muito longo prazo e vai demorar ainda muito para acontecer. Mesmo que o Brasil voltasse a ter um novo AI-5, o que não deverá ocorrer, ainda veríamos uma boa parte da população sendo vítimas de carteiradas ou fugindo de suas obrigações.

*Economista, professor e jornalista

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