COTAÇÃO DE 21-01-2022

DÓLAR COMERCIAL

COMPRA: R$5,4550

VENDA: R$5,4550

DÓLAR TURISMO

COMPRA: R$5,4870

VENDA: R$5,6130

EURO

COMPRA: R$6,1717

VENDA: R$6,1729

OURO NY

U$1.829,52

OURO BM&F (g)

R$320,53 (g)

BOVESPA

-0,15

POUPANÇA

0,6107%

OFERECIMENTO

INFORMAÇÕES DO DOLAR

Opinião

Centrão e Bolsonaro

COMPARTILHE

" "
Crédito: REUTERS/Ueslei Marcelino

Tenho visto muitos analistas comentarem que Bolsonaro ganhou o Congresso, o Poder Legislativo, ao eleger o deputado Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, e Rodrigo Pacheco (DEM-MG) para liderar o Senado. Ledo engano de quem se contenta com as aparências! Na verdade, foi o Centrão que ganhou a Presidência da República, o Planalto, o presidente Bolsonaro. 

 Para avaliar as consequências é necessário conhecer de perto quem é Bolsonaro e quem é o Centrão. Como deputado federal, convivi com ambos de 1990 a 2002. Fui para a oposição a Collor, inclusive votando o seu impeachment. No cafezinho, conversávamos, embora debater nunca foi o seu forte! O atentado a facada em Juiz de Fora favoreceu mais tarde sua ausência ao debate eleitoral.

PUBLICIDADE




 Bolsonaro ocupava o fim da fila do Centrão, até porque era um deputado inexpressivo. Não podíamos imaginar, então, que chegaria ao Planalto, vencendo os desgastados Lula e Aécio. Quem terá sido mentor dessa façanha? Já que não parecia ter força e inteligência para vencer Lula e Aécio.

 Conheci o Centrão no confronto direto com o deputado Roberto Cardoso Alves, que criou o refrão, roubado de Francisco de Assis: “É dando que se recebe!” Inspirava um fisiologismo dos mais arraigados em nossa história política contemporânea. Foi a base teórica do “toma lá dá cá” e da corrupção sistêmica. Alves me ensinou na prática o que era o Centrão dele, de Roberto Jefferson e do pai de Arthur Lira. Eles eram avestais da condenação dos radicais de esquerda ou de direita. E ficavam no poder com quem lá estivesse e com Bolsonaro, que agora se tornou um Centrão, não do fim da fila, mas, entre os comandantes do bloco. 

 O Centrão conquistou Bolsonaro, que já namorara com o grupo a partir de 1990. Em contraste com os ataques que fazia à turma durante a campanha presidencial. Em matéria de Centrão, Roberto Cardoso Alves era um catedrático. Com ele, entendi a natureza desse bloco. Consegui em uma tarde de sexta-feira, através da votação dos líderes, aprovar meu projeto de lei (prenúncio da Ficha Limpa), que elevava de 3 para 8 anos a punição de político cassado por corrupção, de vereador a presidente. 

 Às vezes os filhos da luz conseguem ser mais espertos, no Parlamento, que os filhos das trevas, do obscurantismo. Na terça-feira seguinte, Cardoso Alves vociferou que na semana anterior (nós tínhamos “comido mosca”). Dizia que a “autofagia” se infiltrara na Casa: (8 anos de punição para o político corrupto em vez de 3. Com 3 era mais fácil o corrupto voltar ao Parlamento.) E despencou uma catilinária sobre o autor do projeto: “Mineirinho de fino trato, mas cruel na política, sem espírito de corpo com os colegas. Vários colegas subiram à tribuna e fizeram a defesa da lei e atacaram publicamente o Centrão.




*Jornalista, embaixador e sacerdote anglicano itinerante (tildensantiago@gmail.com)
Ao comentar você concorda com os Termos de Uso. Os comentários não representam a opinião do portal Diário do Comércio. A responsabilidade sob qualquer informação divulgada é do autor da mensagem.

COMPARTILHE

NEWSLETTER

Fique por dentro de tudo que acontece no cenário economico do Estado

CONTEÚDO RELACIONADO

OUTROS CONTEÚDOS

Comunicar erro

Identificou algo e gostaria de compartilhar com a nossa equipe?
Utilize o formulário abaixo!