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Emerson de Almeida e Sérgio Araújo Rabelo*

No dia em que lembramos o primeiro ano de seu falecimento e que se inaugura o “Centro Social Cardeal Dom Serafim” da Fundação Dom Cabral, com foco na inclusão social por meio de ações educacionais e capacitação, voltamo-nos para esta pessoa de fundamental importância para tantos. Afinal, quem foi o Cardeal Dom Serafim?

Dom Serafim Fernandes de Araújo foi arcebispo de Belo Horizonte e reitor da PUC por muitos anos. Foi um grande homem, que conquistou lugar definitivo na história da Igreja no Brasil e no mundo. Mas, antes, é importante destacar que o pequeno Serafim foi um menino que nasceu de família simples, de 16 irmãos, no Vale do Jequitinhonha, na cidade de Minas Novas, em 1924. Filho de um dentista prático – José Fernandes de Araújo -, viveu sua infância em Itamarandiba e aos 12 anos de idade foi estudar no Seminário de Diamantina, onde se formou em Humanidades em 1942 e em Filosofia em 1944.

O filho do dentista, que carregava sua cadeira de trabalho no lombo do burro pelas estradas de terra do Jequitinhonha, foi escolhido para ir estudar em Roma, onde fez mestrado em Teologia e Direito Canônico na Pontifícia Universidade Gregoriana. Sua ordenação se deu em 12 de março de 1949, na Catedral de São João Latrão, em Roma.

Retornando ao Brasil, foi pároco em Gouveia e professor no Seminário de Diamantina. Depois, foi pároco em Curvelo e, em 1959, com apenas 34 anos, foi sagrado bispo auxiliar de Belo Horizonte. Ali tinha início sua grande história de amor com a cidade e seu povo.

Em 1960, Dom Serafim assumiu o cargo de reitor da Universidade Católica de Minas Gerais, onde permaneceu até 1981, sendo o grande responsável pelo seu crescimento e reconhecimento como Pontifícia Universidade Católica. Participou do Concílio Vaticano II, de 1962 a 1965 e viajou para vários países, em visita a universidades, para participar de seminários e congressos sobre educação. Entre 1978 e 1981, foi membro do Conselho Federal de Educação. Em 1986, Dom Serafim tomou posse como arcebispo metropolitano, sucedendo Dom João Resende Costa.

À frente da arquidiocese de Belo Horizonte, idealizou e implantou importantes projetos de evangelização urbana e dinamizou as pastorais sociais, como as pastorais de Direitos Humanos, do Menor e da População de Rua, tendo sido grande apoiador na criação da Associação dos Catadores de Papel e Material Reciclado (Asmare), exemplo de promoção da cidadania e dos direitos sociais. Sentia-se atraído pelos mais simples, os mais necessitados e pelos jovens. Ouvimos de um Padre que Dom Serafim não fazia homilias, mas, sim, contava histórias.

Nomeado cardeal, recebeu sua investidura cardinalícia em fevereiro de 1986, das mãos do Papa João Paulo II. Interessante lembrar que o Papa João Paulo o chamava de “belo horizonte” …

A vida de Dom Serafim sempre foi marcada por uma presença que, apesar de discreta, impactou milhares de pessoas, com sua capacidade de articulação e resistência. Há 40 anos, ele criou a Fundação José Fernandes de Araújo, com o objetivo de conceder bolsas de estudos a estudantes universitários carentes. Ao longo dessas quatro décadas, mais de oito mil bolsas foram concedidas, transformando em realidade o sonho de milhares de jovens e suas famílias, de conquistarem o diploma universitário.

Alguns anos antes, em 1976, Dom Serafim, como reitor da PUC, criava a Fundação Dom Cabral. Sempre tendo como foco uma educação de qualidade acessível ao maior número de pessoas, o sonho de criar uma entidade que se destacasse no cenário da educação executiva e gestão tornou-se realidade e se consolidou: hoje a Fundação Dom Cabral é reconhecida internacionalmente, tendo conquistado o 9º lugar das melhores escolas de negócios que participam do ranking de educação executiva do jornal britânico “Financial Times”.

Dom Serafim partiu para os braços do Pai há exatamente um ano. Mas segue nos inspirando a prosseguir na missão de promover a inclusão social pela educação de qualidade e acessível a todos. O importante é não parar. É vislumbrar os desafios e buscar o melhor caminho para enfrentá-los. É ampliar os horizontes e estar sintonizados com o tempo de hoje, com as raízes firmes no passado que a gerou e alimentou.

Temos um milhão de razões para seguir em frente, confiando nas intuições daquele grande homem, menino simples de Minas Novas, que resumia sua vida e trajetória em uma pequena frase e que muito nos inspira: “Não custa nada fazer o Bem”.

*Cofundador e presidente da Diretoria Estatutária da FDC / Diretor executivo da Fundação José Fernandes de Araújo