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Consciência plena das responsabilidades de uma liderança

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Crédito: Douglas Gomes

Cesar Vanucci *

“A participação da sociedade nos resultados econômicos e sociais que derivam da prosperidade da empresa é muito importante..” (Trecho de carta de José Alencar, em nome da Fiemg, à Fiat, em março de 1987)

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Reportando-se a comentários aqui recentemente estampados, alguém do círculo de amigos e admiradores de José Alencar Gomes da Silva sugere-me relate um caso sucedido anos atrás, revelador da plena consciência que o saudoso cidadão possuía das responsabilidades afetas aos exercentes de funções de liderança na vida pública. Sugestão acolhida.

Março de 1987, dia 20. Sob o título “Federação não apoia negócio da Fiat”, o jornal “Folha de São Paulo” estampou notícia contando que a Federação das Indústrias de Minas Gerais se manifestara contrária à transação realizada entre o então governador Hélio Garcia e a Fiat Internacional, “pela qual o Estado trocaria sua participação de 18,7% no capital da fábrica mineira da empresa por 49,1% das ações da “Betim Participações” – uma nova indústria de autopeças, a ser instalada pelo grupo italiano em Minas.” Chamado a opinar, José Alencar, presidente em exercício da Fiemg (substituía Nansen Araújo nas funções, temporariamente), havia afirmado, sem tergiversações, que “uma transação de tal interesse para o Estado teria que ser melhor discutida.” Pedia, ao mesmo tempo, à Fiat que revisse o acordo, “em retribuição aos favores de todo tipo que já recebeu do governo mineiro.”

A alta direção da empresa, na mesma data, encaminhou oficio à Fiemg, num tom meio chegado ao insolente, pedindo “confirmação ou negação da declaração”. Na primeira hipótese (confirmação), solicitava fosse considerada “plena e totalmente desvinculada da entidade, bem como de suas comissões todos os representantes da empresa.” “Na segunda hipótese, que imaginamos ser a verdadeira – assinalava o oficio -, manifestamos nossa firme vontade de ver desmentida a declaração no mesmo órgão de imprensa (…).”

A resposta dada por José Alencar foi simplesmente impecável. Bem ao seu estilo. Os pingos devidamente colocados nos iis. Polida, mas incisiva. Cortez, serena, mas altiva e definitiva. Enfatizando que a convivência da Fiemg com a empresa “engrandece a crônica de nossas lutas em favor de Minas”, registrou que, ufanos da grande conquista industrial representada pela Fiat, os mineiros sentiam-se sócios da empresa, “donos de quase a metade do colossal empreendimento.” Lembrou que, pelas tratativas iniciais, “seu presidente seria um mineiro, o que vale dizer o mandatário maior era um representante da sociedade mineira. E por aí afora.”

Mais adiante: “Esse entendimento (…) confere sentido à declaração que tivemos oportunidade de dar (…), quando procurado pela repórter, (…) e que mereceu comentários impróprios, tendo em vista o nível em que sempre se posicionou a nossa convivência, na carta que nos encaminhou. Na referida matéria, justificamos a necessidade de que a transação ocorrida, de tão grande interesse para o Estado, teria que ser melhor discutida e que seria perfeitamente razoável esperar-se da Fiat uma reavaliação do assunto face ao que o seu parceiro no grande empreendimento, o povo de Minas, representado pelo governo, canalizou em recursos para que o projeto se implantasse e pudesse se tornar vitorioso. Afinal, foram 360 milhões de dólares aportados pelo Estado, que buscou recursos no exterior, pagando juros e “spreads” durante estes últimos 10 ou 12 anos de existência da operação. Provavelmente, o valor aportado signifique hoje soma superior ao valor da dívida externa mineira, estimada em 800 milhões de dólares.”

Dizendo ainda não existir “a mais leve razão para que nos sintamos na condição de estar a praticar agravos contra a respeitabilidade da empresa como se procura fazer crer na correspondência”, JA reiterou, no oficio de resposta, a necessidade de um debate aprofundado em torno do assunto. “A fuga ao debate – pontuou – significa o desconhecimento de regras comezinhas dentro da convivência democrática.” Arrematou as considerações frisando que “o nosso propósito, ontem, hoje e sempre, em relação à Fiat, permanece inalterado. A prosperidade sempre crescente da empresa é importante. A participação da sociedade mineira nos resultados econômicos e sociais que derivam dessa prosperidade é também muito importante.”

O desfecho de toda a história ficou por conta da magistral argumentação de Alencar. O relacionamento da Fiemg com a empresa não sofreu abalo. Manteve-se incólume, em termos de “alvissareira aliança”, tal como JA expressou na manifestação.

Vez do leitor. Mensagem do leitor Lazaro Elveci de Oliveira, a propósito de considerações que fiz sobre privatizações: “Sr. Jornalista. Até os meninos do grupo escolar sabem. Na situação atual o crescimento econômico só vem com privatização. Isto devido ao gigantesco roubo praticado pelos comunistas”.

* Jornalista ([email protected])

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