CREDITO: ALISSON J. SILVA / arquivo dc Usada em 27-11-19

José Eloy dos Santos Cardoso *

O governador Romeu Zema já tornou oficial a Política Estadual de Desestatização. O que se pretende nada mais é do que vender empresas sob o controle acionário do Estado. Parece muito simples, mas não é. Alguns economistas mostram-se totalmente contra a venda de empresas que produzem infraestruturas importantes como as de energia elétrica, água e esgotos e a Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais – Codemig – que, pelo nome, deveria trabalhar arduamente na atração e localização de empresas no Estado. Foi devido à absorção pela Codemig que a Cia. De Distritos Industriais de Minas Gerais (Cdimg) –  que produziu um total e importante trabalho de localização – deixou de existir. E a empresa que a absorveu não mais produziu áreas industriais que, no passado, criaram condições para várias empresas de outros estados e do exterior virem para Minas Gerais produzir bens finais e proporcionar empregos e impostos. Um bom exemplo disso foi a vinda para nosso Estado da Fiat automóveis.

Vender empresas que criam infraestruturas importantíssimas, impostos e empregos é uma autêntica operação de riscos. A Cemig foi criada pela visão desenvolvimentista de Juscelino Kubitschek quando governou Minas nos anos 50. Aborrecido de ver os apagões causados pela Cia. Força e Luz de Minas Gerais, que não produzia e oferecia energia elétrica suficiente para abastecer a capital mineira, JK criou a Cemig que, posteriormente, absorveria a Força e Luz e, aos poucos, os angustiantes problemas de falta de energia foram resolvidos. Lembro bem que, trabalhando no 18º andar do edifício Acaiaca, todos os dias tinha que subir e descer os 18 andares. Não havia energia para fazer funcionar os elevadores.

Vender empresas que produzem infraestruturas será sempre uma temeridade. Pode-se resolver o problema no curto prazo, mas, e depois? Sabemos que resolver permanentemente os gastos indevidos, dar continuidade a obras paradas que, por vezes, nem deveriam ter se iniciado, não é uma ação fácil de se resolver. JK que, a maioria dos economistas brasileiros sempre o classificou como o melhor presidente da República que o Brasil já teve, sempre foi um desenvolvimentista nato porque trouxe para o Brasil importantes empresas que criaram milhares de empregos e impostos e fizeram o Brasil se tornar um importante produtor de máquinas, equipamentos e veículos que foram até exportados aos milhares através do tempo.

O processo de passar para a iniciativa privada empresas sob o controle do governo não é muito fácil de se fazer. Além disso, mesmo que se resolva num curto prazo, depois de se privatizar uma empresa de energia elétrica, por exemplo, ela pensará apenas nos seus custos e lucros, nunca num atendimento para o desenvolvimento, como ocorre, em princípio, em uma empresa do governo que tem objetivo de eliminar o que chamamos de pontos de estrangulamento do desenvolvimento econômico. A Codemig, por sua vez, que se chama Cia. de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, baseou todo seu trabalho nos últimos anos da administração Fernando Pimentel em fornecer apoios para que ele pudesse se candidatar de novo, o que foi feito. Infelizmente, os apoios políticos não foram suficientes e ele ocupou somente o terceiro lugar. Trabalhar politicamente uma empresa do governo, a experiência demonstra que, na maioria dos casos não dá certo.

Desde que as empresas de infraestrutura começaram a perder espaço, o papel de Minas Gerais começou a ir para a lixeira. Nosso Estado começou a perder espaço no cenário nacional e vários projetos importantes deixaram buscaram outros locais onde encontraram total apoio. Um bom exemplo disso é o caso da Peugeot Automóveis que, mesmo depois de ter escolhido um local e fazer as necessárias sondagens no terreno e outras providências, foi se instalar no Estado do Rio de Janeiro. Outro caso foi a Fiat, que se localiza em Betim e queria construir outra empresa, deixou de fazer esse projeto em Minas Gerais para se instalar em Pernambuco, onde produz o Jeep. Os exemplos de falta de apoio político em Minas Gerais são vários. Se se fizesse uma pesquisa, descobriremos vários outros projetos que foram para outros estados e que poderiam ter vindo para Minas Gerais. Por esses motivos, nosso estado acompanhou a decadência econômica brasileira para cair no mesmo buraco da estagnação.

*Economista, professor titular de macroeconomia da PUC-Minas e jornalista.