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Aguinaldo Diniz Filho*

O Brasil, e Minas Gerais, de forma muito especial, perdeu na última sexta feira (3), dois expoentes de nossa vida pública e empresarial: Alberto Oswaldo Continentino de Araújo, alto executivo do Grupo Mercantil do Brasil, e o advogado Aristoteles Atheniense, ambos Diretores Eméritos da Associação Comercial e Empresarial de Minas, que manifesta seu sentimento de profundo luto.

Personalidades de trato ameno e cativante, extremamente ativos e donos de ilibadas reputações, tanto pessoais quanto em suas atividades profissionais, tiveram indiscutível destaque tanto como gestores quanto como vozes ativas e nacionalmente reconhecidas em seus setores de atuação.

Continentino, empresário nos setores bancário e de seguros, deu sequência às realizações de seu pai, Oswaldo Araújo, fundador, em 1943, do Banco Mercantil de Minas Gerais (hoje Mercantil do Brasil), instituição que, preservando sua mineiríssima identidade em um setor fortemente marcado pela concentração advinda das fusões e incorporações verificadas na década passada, expandiu-se de forma exponencial: tem, hoje, mais de 200 agências em todo o Brasil, além de uma nas Ilhas Cayman.

Era, desde 2003, presidente da Companhia de Seguros Minas Brasil e atuava também como respeitada liderança corporativa, tendo presidido por mais de três décadas o sindicato do setor securitário em Minas Gerais, organismo no qual atuou por mais de 50 anos como uma voz extremamente ativa na defesa dos seus interesses e em busca do seu crescimento e aprimoramento.

Tinha, além da enorme dedicação à atividade empresarial, uma outra paixão: a criação de gado girolando, que lhe rendeu inúmeras premiações em concursos, inclusive internacionais.

Também deixa-nos grande lacuna o advogado Aristoteles Atheniense. Jurista de renome internacional, foi vice-presidente do Conselho Federal da OAB e ex-conselheiro desta organização, além de presidente da Academia Mineira de Letras Jurídicas e constante articulista em nossos veículos de imprensa.

São dignas de nota a firmeza e a frequência com que defendia, verbalmente ou em seus escritos, as sólidas convicções e as sempre abalizadas proposições que trazia, com sua inegável erudição, às reuniões plenárias da ACMinas.

Formado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, tornou-se um homem de múltiplas atividades. Além de ter presidido a seccional mineira da Ordem dos Advogados do Brasil por dois mandatos e a Academia Mineira de Letras Jurídicas durante quatro anos, participava intensamente de organizações globais, como as Federações Interamericana e a Internacional de Advogados.

Encontrava tempo ainda, por puro deleite, para dedicar-se ao Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.

Lembro-me com muita clareza das inúmeras intervenções que, da tribuna de nossa entidade, ele fazia. Orador brilhante, conseguia extrair de uma simples nota nos jornais, dando conta de alguma nova resolução governamental, um belíssimo discurso – seja apoiando-a ou, se desfavorável para o meio corporativo, condenando-a com irretorquível veemência.

Esta dedicação integral à advocacia e a seriedade que a ela sempre dedicou não lhe tolhiam, porém, a amenidade no trato, as manifestações de amizade e o sorriso aberto diante de uma história ou de um “causo” interessante – desde que bem contado.
Enlutada, a Associação Comercial e Empresarial de Minas, por seu presidente, vice-presidentes, diretores, associados e colaboradores, prestam a Alberto Oswaldo Continentino de Araújo e a Aristoteles Atheniense as mais que devidas homenagens, traduzindo um sentimento unânime de profundo pesar pela perda destes que foram referências absolutas em suas áreas de atuação. Farão, sem dúvida, muita falta: à nossa entidade, ao nosso meio corporativo e a todos que tiveram a graça de com eles conviver.

*Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas – ACMinas