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©Basso Cannarsa/Opale/Leemage

Tilden Santiago*

Queria revelar aos nossos leitores do DIÁRIO DO COMÉRCIO um pouco de quem foi e é Edgar Morin, já que estamos em tempos de pandemia e ambos, acabamos de envelhecer, neste mês de julho, quase no mesmo dia, ele completando 99 anos no dia 8 de julho e esse escriba, 80 no dia 13.

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Pelo que conheço pessoalmente de ambos, garanto que foram 179 anos bem vividos, tendo a filosofia, a História e a transformação do mundo, como paixões indomáveis.

Ele, intelectual vocacionado, mergulhou em outras águas: sociologia, semiologia, geografia, com uma vivência invejável, hoje com uma bagagem de mais de 30 livros escritos e centenas de revistas, de artigos, conferências, seminários, entrevistas, debates em toda a terra, da qual ele é enamorado.

Judeu francês, seguiu a tradição cultural e intelectual dos semitas, a sabedoria de Salomão, seu antepassado, debruçando-se sobre as diferentes faces do real e, no seu sistema de pensamento, sinalizando a “complexidade”, como conceito básico, epicentro de suas análises, para o qual convergem todas as suas afirmações e descobertas filosóficas e científicas.

Nas últimas décadas, Edgar Morin foi um dos líderes do Movimentos dos “Indignados” – na França, na Espanha, nos EUA, em todos os nichos da intelectualidade e praças públicas de protestos na Europa, nos EUA, no mundo.

A inspiração rebelde de seus atos e escritos, de seu pensamento e engajamento instigantes vem do berço judaico, iluminado pela convicção de libertação do “Egito nunca mais”, agora aplicada à Historia, à vida dos povos e nações de todos os tempos e lugares.

Morin, nascido numa ilha do Mediterrâneo, não distante da Turquia e da Grécia, veio com a família radicar-se em Paris. Foi ali que esse escriba o conheceu numa noite de exposições de fotos de Sebastião Salgado e de uma apresentação de dança flamenca, em 1992. Perdeu cedo a mãe e cresceu à sombra do pai. Jamais esquecerei esse primeiro encontro e a conversa.

Ele é daqueles judeus, como Freud, Marx e Einstein, que não se fecharam dentro do labirinto da lei, da Torá, enamorado e apequenado da condição de povo eleito. Mas visualizou a História de seu povo de origem, como um símbolo daquilo que Javé sonhou para judeus e gentios, gregos, troianos e romanos, para judeus e árabes, para as nações e os povos de todos os tempos e lugares.

Em vez de “Egito nunca mais”, escravidão, opressão, alienação, depressão psíquica, ignorância da ciência, nunca mais – porém para todos os homens e mulheres da História. Na fila universalista de Freud, Marx, Einstein, poderíamos incluir o judeu, Yeshua de Nazaré que também ultrapassou com a revelação e doação da “graça”, mesmo respeitando e complementando, os valores e limites da “lei judaica” .

Na raiz, o verdadeiro judeu é plenamente universal, como Javé, aberto para a plenitude da humanidade e do universo decaído e redimido. Como Freud, Morin teve como foco, o “malaise du monde”. como Marx, a exploração do homem pelo homem, mas não apenas na Inglaterra e na Europa da Revolução Industrial, mas no tempo e no espaço da História.

Tudo começou pelo imperativo óbvio, que foi para Morin a Resistência Francesa, em Paris e nas montanhas, unido a democratas contra o nazismo ocupante de boa parte da França em companhia de judeus, cristãos e ateus. Ainda jovem, empunhou como combate da Resistência, seu fuzil, aprendendo com rapidez e coragem o uso do revólver, da metralhadora e da bazurca.

Foi na resistência francesa ao Nazismo e ao Fascismo que Morin descobriu a transformação da guerra, da luta armada em instrumento de libertação histórica. Embora judeu, aprendeu de Tomás de Aquino que é moralmente lícita a prática de uma “violência libertadora”, quando se trata de derrubar o déspota: Hitler, Mussolini e tantos outros que macularam e maculam a história humana.

Em 45, terminada a Segunda Grande Guerra, entrega-se à nobre tarefa de liberar do nazismo e do fascismo, a França, a Europa, a terra dos viventes mortais. Incorporou-se, então, às fileiras do Partido Comunista Francês (PCS), que junto com democratas cristãos tentaram construir um novo continente, uma nova França, uma nova terra, uma nova humanidade.

Data dessa época, sua iniciação na vida intelectual. De militante da Resistência e do PCS, leva para o labor científico, o vigor e a ousadia do resistente corajoso e do militante revolucionário. Mas é como intelectual que ele vai oferecer ao mundo das ideias, uma autocrítica que incorpora um novo conceito de revolução na terra. Mas essa é outra história, que junto com seus livros abordaremos num segundo artigo.

*Jornalista, embaixador e sacerdote itinerante (Com colaboração de Rodrigo Starling, cientista político e filósofo)

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