Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Pesquisas de opinião, realizadas antes da votação de domingo passado, captaram a desilusão de parcela significativa dos brasileiros com a política, sentimento que fatos posteriores ajudam a confirmar. Primeiro, o nível de comparecimento dos eleitores, com abstenções superando percentuais anteriores e, segundo, o próprio resultado da votação, que, como dado mais positivo, na avaliação de alguns cientistas políticos, sugere que a polarização começa a ser revertida, podendo ser no rumo do entendimento e da convergência em torno de objetivos comuns.

Uma das evidências recolhidas foi o fraco desempenho do PSDB e do PT, símbolo de extremos e, simultaneamente, de um predomínio que parece derreter. Por outro lado, e com significado igualmente muito relevante, o desempenho do bolsonarismo também ficou a desejar, sugerindo precoce deterioração da nova política, hoje ironicamente ancorada no chamado centrão.

Dizem os entendidos que o recado das urnas foi positivo, sugerindo que a correção de rumos, que essencialmente nos liberte do sectarismo e do radicalismo, pode vir mais rapidamente do que se supunha, com reflexos inclusive nas próximas eleições. Fato objetivo é que os novatos, prometendo mundos e fundos e o fim de antigos vícios da política brasileira, como o clientelismo e a própria corrupção, decepcionaram e não convenceram. Houve alguma renovação, é certo, mas ficou a impressão de que parcela expressiva dos eleitores brasileiros preferiram ancorar suas esperanças e expectativas na experiência, mesmo sob o risco de trazer de volta à cena velhos nomes e velhas suspeitas.

Motivos suficientes para desalento em alguns casos, como se estivéssemos todos dando voltas em torno de um mesmo ponto, incapazes de romper as cadeias que nos prendem a um passado indesejado ao mesmo tempo em que nos afastam das esperanças do futuro.

Sentimentos em que são marcantes também os sinais de desilusão, como que confirmando que os movimentos anteriores carregavam mais ambições que virtudes, fazendo ver que a própria corrupção, na política, pode se resumir a uma questão de oportunidade, mesmo que mascarada pelas cores de variadas ideologias. Exceções, poucas mas existentes, apenas ajudam a confirmar a regra que, não nos iludamos, tem raízes fundas e antigas.

Tudo isso pode sugerir sabedoria, qualidade do voto e otimismo, na medida em que, seja de fato a negação de extremos, primeiro passo para a conciliação que permita ao Brasil e aos brasileiros somar forças para cuidar de seus problemas e deixar de lado seus fantasmas.