Crédito: REUTERS/Rodolfo Buhrer

Na semana passada a francesa Renault, maior fabricante de material de transporte no seu país e que acaba de reiniciar suas atividades, anunciou que dispunha de reservas para operar por apenas um mês.

Mantidas as condições atuais encerraria as atividades, caminhando na direção da falência. A reação foi rápida. Esta semana o presidente Emanoel Macron visitou uma das unidades fabris da empresa e não por acaso escolheu aquela em que está concentrada a produção de automóveis elétricos.

A Renault, como de resto os grandes fabricantes de atuação global, já enfrentava dificuldades que só pioraram por conta da pandemia, com paralisação da produção e queda nas vendas em até 90%.

Daí a visita e a agilidade demonstrada pelo presidente francês, que aproveitou a ocasião para anunciar um plano de recuperação para o setor, com investimento direto de dois bilhões de euros.

Segundo Macron, recuperar, devolver às empresas o fôlego perdido e aproveitar a ocasião para “virar” o setor na direção da produção de veículos “limpos”, elétricos especialmente, com o objetivo ambicioso de transformar o país em líder mundial neste segmento. Um desafio tanto maior quando se sabe que todos os grandes, com maior ou menor velocidade, caminham na mesma direção.

Independentemente da estratégia, que de alguma forma lembra a velha história de transformar limão em limonada, chama atenção a agilidade e o rápido processo de tomada de decisões, o que aliás está sendo visto em todo o mundo desenvolvido, como na Alemanha, que já anunciou seu plano de socorro ao setor automotivo e acaba de apresentar plano de salvação para a Lufthansa, que na prática será provisoriamente estatizada.

O mundo, ou os países desenvolvidos pelo menos, sabe o tamanho da crise econômica e dos desafios que estão pela frente e demonstra que as respostas têm que ser consistentes e imediatas porque só assim serão capazes de reduzir prejuízos e acelerar a recuperação.

Nada que lembre o que se passa no Brasil, em que muito pouco, ou nada, de concreto foi feito até agora para, pelo menos, definir estratégias para a saída da crise. Bem a propósito, a reunião ministerial realizada no dia 22 de abril e sobre a qual são desnecessários, a estas alturas, maiores comentários, foi convocada exatamente para tratar do assunto.

Quem viu e ouviu a gravação da reunião, sabe que os senhores presentes no Palácio do Planalto naquela data, aí incluído o ministro da Economia, apenas tangenciaram, e muito ligeiramente, o assunto. E se assim permanecermos ficaremos para trás, demoraremos mais e pagaremos mais caro pela recuperação.