Crédito: REUTERS/Rahel Patrasso/File Photo

Paralisado e em choque, o mundo não arrisca fazer muitas previsões sobre o futuro, tanto para a evolução da pandemia quanto para seus custos e consequentes efeitos na economia.

O Brasil, mesmo que ostente a condição de membro do G-20, o que o coloca entre os vinte países mais ricos do planeta, no caso específico está no grupo dos que têm menor capacidade de resposta, mesmo que prometa assistência e suporte a todos ou aceite o desafio de praticamente triplicar o déficit primário bruto que, segundo informações não oficiais, poderá chegar aos R$ 320 bilhões no corrente exercício.

Um esforço gigantesco, uma conta que será jogada para o futuro, com forte impacto na dívida interna e implicações que só à frente poderão ser avaliadas. É o que tem que ser feito e com muita agilidade, seja para melhorar o suporte médico a ser garantido à população, seja para atender aos que perderão trabalho e renda, bem como aos negócios, igualmente atingidos de forma devastadora.

Falávamos em disparidade, desnuda diante da informação de organismos internacionais de que a Alemanha gastará o equivalente a 17% de seu Produto Interno Bruto (PIB) nessa guerra, a Grã-Bretanha 12% e os Estados Unidos 6,5%. Para o Brasil as estimativas são de que a conta consumirá 2% de seu PIB.

Na realidade, estamos falando de velhas disparidades talvez só agora desnudadas de maneira tão crua, o que nos remete ao apelo do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) no sentido exatamente de que exista mais colaboração, num processo em que os que podem mais façam mais, o que vale em todas as frentes, começando pelos países mais ricos mas sem excluir a participação de empresas, de entidades corporativas e até de indivíduos, um processo talvez ainda tímido mas que já começou e bem poderia ser, uma vez vencidos os momentos mais difíceis, um esforço comum semelhante ao Plano Marshall, de reconstrução da Europa Ocidental ao final da Segunda Guerra, hipótese já aventada.

Como a Europa em 1945, estaremos todos saindo de uma guerra, vencedores, mas exauridos, talvez aproximados pelo sofrimento comum e pelo entendimento de que a desigualdade na realidade a todos enfraquece, num processo de concentração que não e apenas de renda, mas igualmente de oportunidades e de mercados.

Com algum otimismo, estamos tentando enxergar as chances de um mundo novo e melhor para todos, quem sabe menos vulnerável que na atualidade.