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Nas suas primeiras declarações depois de conhecidos os resultados da eleição em Belo Horizonte, o prefeito Alexandre Kalil afirmou que sua prioridade, no segundo mandato, será a recuperação da economia, com atenção especial aos pequenos negócios. Adiantou que já estão em andamento estudo de medidas que mais possam contribuir para a retomada dos setores mais afetados e reafirmou que o sucesso desse trabalho só será possível se houver diálogo e entendimento com os empresários e as entidades que os representam.

Gente que, segundo as palavras do prefeito, “levou muita paulada” e precisa ser apoiada. Pode ter sido coincidência, mas são também sinal de convergência declarações do presidente da ACMinas, Aguinaldo Diniz, a este jornal, antecipando-se às palavras do prefeito.

Depois de lembrar que estamos vivendo um crise sanitária, econômica e social, o experiente Aguinaldo disse que são exatamente nesses momentos que mais é preciso sentar-se e conversar para que juntos, setor público e sociedade, encontrem um caminho mais claro e robusto para Belo Horizonte. Que seja este, de fato, um objetivo comum, tendo a recuperação como ponto de partida, porém com um olhar mais amplo, no entendimento de que, além de consertar os estragos mais recentes, é preciso aceitar o fato de que a cidade vem passando, pelo menos nas duas últimas décadas, por um processo de esvaziamento econômico, de empobrecimento para sua população.

E aqui também cabe observações que fizemos anteriormente, em comentário sobre as dificuldades do Estado. Sim, é preciso dar melhor destino aos recursos públicos, mas não basta trabalhar exclusivamente para cortar despesas, sem que simultaneamente não seja feito um grande esforço para aumentar receitas. Belo Horizonte claramente tem espaços a ocupar, tem como tirar partido de sua localização central em relação ao território nacional, equipando-se para elevar o turismo de negócios a um novo patamar, com o bônus do circuito de cidades históricas, da cultura em geral e da culinária em particular.

Tudo isso pode gerar mais negócios e, sobretudo, poderá devolver à cidade a condição de referência também nos campos da inovação e alta tecnologia, num processo que idealmente seria também de efetiva integração da região metropolitana e de atração das regiões Sul, Zona da Mata e Triângulo, muito mais voltadas para o Rio de Janeiro e São Paulo. Mudar, na escala que enxergamos como necessária, significa também ousar, talvez exatamente o que mais nos tem faltado nos últimos anos. E fazer diferente depende muito mais de vontade que propriamente de abundância de recursos.