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Ao que tudo faz crer, os problemas enfrentados pelos Estados Unidos em virtude da pandemia são maiores que o imaginado, com uma contração que chegou aos 32,9% no segundo trimestre do ano, contra 5% nos três primeiros meses do ano.

Para o país, foi o pior resultado desde a grande depressão no final dos anos 20 e mais que o triplo da queda de 10% no segundo trimestre de 1958, o pior resultado neste intervalo de tempo. Pelo tamanho e importância da economia norte-americana os efeitos desse recuo serão globais, não sendo demais recordar que também na semana passada a Alemanha, maior economia do bloco europeu, informou que no segundo trimestre do ano seu Produto Interno Bruto (PIB) sofreu retração de 10,1%, índice que chega a 11,7% se a comparação for com igual período do ano passado.

A exceção marcante, entre as grandes economias do planeta, fica mais uma vez por conta da China, cujo PIB apresentou queda de 6,8% no primeiro trimestre e 3,2% de crescimento entre os meses de abril e junho.

Com a própria pandemia ainda com movimentos oscilantes e temores de um segundo ciclo de contaminação, não há como enxergar o futuro próximo, se não na perspectiva de uma recuperação lenta, difícil e bastante onerosa, dentro do quadro imaginado há algum tempo pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Tudo isso numa perspectiva em que fatalmente as maiores dificuldades estarão reservadas aos países emergentes e aos mais pobres, que perderão mercados e serão mais impactados pela queda tanto de demanda como de preços das commodities que são a base de seu comercio externo.

A tais dificuldades somam-se as tensões entre Estados Unidos e China, que em tese só fazem piorar o quadro geral, em que as incertezas passam também pelas eleições norte-americanas em novembro, que sintomaticamente o presidente Trump propõe adiar, ao mesmo tempo que menciona riscos – que não aponta claramente – de fraudes no processo eleitoral repetindo, curiosamente, o que fez na eleição passada, embora vitorioso. São condições bem próximas daquilo que se convencionou chamar de “tempestade perfeita”, indicando mais tensões e mais dificuldades à frente.

Tudo isso, é claro, impactará fortemente o Brasil, que ao mesmo tempo se apresenta como aliado incondicional dos Estados Unidos e tem na China, em diversos momentos hostilizada por membros do atual governo, começando por seu chefe, o maior parceiro comercial, além de forte investidor internamente e que já deu sinais de incômodo com o tratamento que tem recebido. Em síntese e para concluir, são pontos a ponderar com mais seriedade.