Crédito: Alisson J. Silva

Já incorporado ao calendário do comércio varejista brasileiro, a Black Friday, importada dos Estados Unidos e, conceitualmente, uma espécie de grande liquidação de estoques antecedendo a reposição para as vendas natalinas, promete movimentar o comércio brasileiro nesta sexta-feira, com expectativa de vendas bem melhores que as registradas no ano passado. Para os lojistas, uma esperança, depois de longo período de vacas magras, para os estudiosos mais um sinal de que a economia está reagindo, no caso específico alimentada pela redução nas taxas de juros e algum crescimento no poder aquisitivo por conta dos ganhos nas contratações – o que aumenta a confiança dos consumidores – e pela liberação de saques no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), aumentando o dinheiro em  circulação.

Cabe torcer para que as boas previsões sejam confirmadas até o final do dia, atendendo consumidores e fornecedores, fazendo crescer a expectativa positiva  também com relação ao Natal, que promete ser mais farto. E tudo isso com um peso relevantíssimo para o conjunto da economia, bastando lembrar que o consumo da família é responsável pela formação de quase dois terços do Produto Interno, tendo sido, na voz comum de quem acompanha estes movimentos, o principal fator responsável pela aceleração da economia na segunda metade do ano, depois de um primeiro semestre de completa apatia nos negócios. Segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), mantida a tendência, o crescimento do consumo doméstico este ano chegará aos 2% e deverá crescer ainda mais em 2020, voltando aos níveis de 2014, antes que a recessão se instalasse no País.

Outro fator que reforça este quadro mais positivo, que por óbvio se reflete também na indústria, são os índices de ocupação do setor, que na média já passaram dos 70%. Mas ganhar velocidade, fazendo as rodas da economia girar como necessário, não depende apenas de quem está na frente ou atrás do balcão. É que ainda permanece um nível de incertezas, econômicas, regulatórias e políticas inibindo a recuperação mais rápida dos investimentos. “As decisões de investimento dependem de previsibilidade, e não sabemos como será a reforma tributária, qual será o preço do gás, como vai ser a tributação do trabalho, sem contar as incertezas da política”, resume a economista Silvia Matos, da FGV.

Para concluir, restaria dizer que o diagnóstico está feito e o paciente felizmente vai reagindo. Com certeza, ousar mais produziria melhores resultados e mais rapidamente.