Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Temos utilizado este espaço para, reiteradamente, as dificuldades que o País enfrenta no plano econômico, que vem do passado e se agravaram em face da pandemia. Mostramos números, citamos previsões, sempre destacando que os problemas à frente serão de proporções inéditas, demandando ações que necessariamente terão que fugir do convencional, demandarão tanto esforço quanto a quebra de paradigmas.

Não enxergamos no horizonte mais um “pacote”, como tantos outros apresentados no passado, e no lugar dele um conjunto de propostas que, rompendo com o convencional, demonstrem que o desafio das transformações foram aceitos e assumidos, no contexto de um projeto que não é do governo, não é de partidos, é do Brasil.

A realidade parece distante desse modelo e mais próxima de práticas convencionais, em que régua e compasso são utilizados meramente como peças de um processo político eleitoral. O Brasil real, hoje sufocado, à beira de um abismo sanitário e econômico, fica de lado, assunto de menor importância, enquanto o verdadeiro – e único – objetivo é cimentar alianças que se traduzam em votos ao preço de concessões para as quais aparentemente não existem limites. Gestão pública eficiente, abraçada a um projeto de Estado, corretor e transformador, passa a ser uma inconveniência.

Dessa incômoda e perversa realidade surgem sinais a cada dia que passa mais concretos, apagada a imagem do “Posto Ipiranga” atribuída, durante a campanha do hoje presidente Jair Bolsonaro ao economista Paulo Guedes, que seria o senhor da economia e maestro das reformas nessa órbita.

O que se percebe, com os pedidos de demissão, esta semana, dos secretários Salim Mattar, responsável pelo programa de privatizações, e Paulo Uebel, este responsável pela  desburocratização, gestão e governança digital, é o que o próprio ministro Paulo Guedes, bem ao seu estilo, definiu como “uma debandada” em seu ministério. Desmonte dessas proporções sugere que o “Posto Ipiranga” já não é o que imaginava seu chefe, sugerindo novas baixas mais à frente.

O País enfrenta uma pandemia que já provocou mais de cem mil mortes e o Ministério da Saúde é ocupado há quatro meses por um interino. Na economia, parcialmente paralisada e devendo encerrar o exercício com uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) próxima, para mais ou pouco menos, dos 10%, o próprio titular da pasta enxerga uma debandada que os demissionários definem como consequência do imobilismo que não conseguiram romper. Difícil, cada vez mais difícil, nessas circunstâncias, enxergar o que virá adiante.