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Ao contrário do que tem sido dito, na realidade não existe um dilema – ou uma “escolha de Sofia” – em relação à melhor estratégia de combate à pandemia que continua fazendo avanços assustadores. Ninguém que mereça ser tido como equilibrado teria dúvidas, mínimas que fossem, ao escolher entre a vida e a sustentação da economia.

Mesmo sabendo que o confinamento, ou isolamento social, implica em virtual paralisação da economia em todo o mundo, situação cuja duração não pode ainda ser estimada em bases confiáveis, o mesmo se aplicando com relação às perdas inevitáveis e, na sequência, aos custos da necessária recuperação de postos de trabalho, de produção e de consumo.

Dessa situação sem precedentes, no Brasil dificultada ainda mais por descabida exploração política, em alguns momentos no limiar da mais completa irresponsabilidade, temos alguma pista através de estudos da Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Minas Gerais (Federaminas).

Eles apontam que 21% das micro e pequenas empresas que operam no Estado já fecharam suas portas em função das restrições em vigor e mais 12% seguirão o mesmo caminho se permanecerem paradas até o próximo dia 15. Outras 29% terão fôlego até a virada do mês, restando 10% com capital para bancar dois meses de inatividade e apenas 5% capazes de resistirem até 90 dias.

A Federaminas sustenta que, com sua advertência, não pretende atropelar as ações e recomendações dos órgãos de saúde, concordando por inteiro que salvar vidas é a maior das prioridades.

Trata-se de tentar antecipar o que virá depois, de tratar com o mesmo realismo das medidas que ajudem as empresas a passar por esse momento tão difícil, garantindo também o sustento de milhões de trabalhadores em todo o País. Com certeza será muito mais do que foi dito e prometido até agora, como complementação de salários em casos de redução da jornada ou crédito para financiamento de folhas de pagamento, nos dois casos por três meses.

Se estão corretas as estimativas feitas pela Federaminas, algo que por suposto se aplicaria não apenas a Minas Gerais, o processo de reconstrução, de recuperação de empregos e de empresas num contexto que deverá ser de recessão global, o esforço terá que ser muito maior, numa mobilização em que os valores hoje aceitos provavelmente serão dados como caducos.

Entender o que está acontecendo e, de um lado e de outro, antecipar o que está por acontecer, são os primeiros movimentos para vencer essa guerra.