Créditos: REUTERS/Ueslei Marcelino

Num país em que, de algum tempo a esta parte, o que não faltam são polêmicas, surge mais uma, que ganhou força na semana que passou por conta de declarações, pouco hábeis, do ministro da Educação. Estamos falando de um novo modelo para o ensino secundário, proposto e já em início de implantação, através do qual seriam construídas escolas em que a formação, ou pelo menos a disciplina, teriam cunho militar e estaria por conta de militares. Bela polêmica, sobretudo quando se tem por trás um governo que não sabe se comunicar.

Assim, nesse debate que já começa estropiado, fala-se muito e, uma vez mais, ninguém parece se entender. Seria mais um dos absurdos do governo atual, algo que remete ao regime militar e que poderia ser traduzido na transformação de escolas públicas em verdadeiros quartéis. Difícil imaginar que não sobrem exageros e desinformação nessas avaliações. Assim, e em nome da razão, convém considerar, primeiro, que as Forças Armadas têm uma longa e bem-sucedida tradição de ensino de qualidade, de que são exemplos bem-sucedidos e assim reconhecidos os colégios militares e, na ponta, instituições como a Academia Militar das Agulhas Negras, o Instituto Militar de Engenharia ou o Centro Tecnológico de Aeronáutica (CTA) da Força Aérea e berço da Embraer, talvez o melhor fruto da indústria brasileira em todos os tempos.

Fácil perceber que uma realidade distante do ensino público convencional que, afora algumas exceções também do maior mérito, parece trabalhar na direção contrária, esquecendo que mérito e disciplina são aspectos fundamentais num processo de educação bem-sucedido. Assim é que os níveis de ensino e, consequentemente, os resultados são quase sempre deploráveis, enquanto indisciplina e até agressões a professores se transformaram na rotina que também ajudam a explicar o baixo aproveitamento e os resultados próximos da nulidade.

Não é nada difícil entender por que tudo isso ocorre. São frutos de uma sociedade que perdeu seus valores e, especificamente, da falta de limites e de outros aspectos que igualmente devem ser considerados. Certo é também que é preciso voltar aos trilhos, no caso com processos pedagógicos mais assertivos e onde, sim, o respeito e a disciplina, assim como o mérito, sejam aspectos fundamentais na formação dos jovens brasileiros. E qualquer avaliação objetiva nos dirá, com certeza, que nesse aspecto os colégios militares têm muito a ensinar. Eis a conclusão objetiva, o resto é preconceito de um lado e exageros de outro.