A reforma tributária, uma discussão velha de pelo menos quarenta anos, dificilmente andará com a velocidade esperada. Conforme comentado anteriormente, existem divergências que se transformaram em gargalos políticos e gargalos funcionais.

Com o País tecnicamente quebrado, sem que tenha havido a reação esperada em termos de retomada, a situação vai se complicando, alimentando diferenças de opinião e, portanto, divergências também, dentro do governo, como ficou evidente na semana passada, com a demissão do secretário da Receita Federal, que defendia propostas que o presidente da República descarta.

Enquanto isso, correm, além de inúmeras e antigas propostas isoladas, apresentadas por parlamentares, mais dois projetos, um patrocinado pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado.

Para completar, sobram evidências de que não há tempo para esperar e que os agentes econômicos, com suas carteiras vazias ou muito bem guardadas, continuam alimentando incertezas que igualmente dificultam as ações reclamadas e que teriam como resultado o, digamos, reaquecimento da economia.

Também para eles a reforma tributária seria peça fundamental no processo de lubrificação das rodas da economia, questão, repetimos, pendente há pelo menos 40 anos e pela qual, tudo indica, será preciso esperar ainda mais. Com um preço amargo.

Muito provavelmente, nas circunstâncias, fosse mais inteligente optar por caminhos menos ambiciosos, especificamente a simplificação muitas vezes mencionada, outras tantas prometidas e sistematicamente esquecida na hora de agir.

O sistema tributário brasileiro é reconhecidamente ineficiente, complexo e confuso, o que implica, para os contribuintes, numa carga adicional, custos, que não são pequenos, representados pela necessidade de processar toda essa infernal burocracia. Não por acaso muitos empresários, realistas e, portanto, cientes de que, com os cofres vazios, não existe espaço para redução da carga tributária, anunciada como equivalente a 35% do Produto Interno Bruto (PIB), mas que, feitas todas as contas, pode ser ainda maior.

E o presidente da República, que não perde oportunidade de lembrar que a palavra final é sempre sua, prometeu em campanha e repete agora, que não haverá aumento de tributos. Está certo, pela simples e boa razão de que a economia brasileira não tem como suportar pressão ainda maior e nenhum dos alquimistas que trabalham no assunto foi capaz de demonstrar, convincentemente, que pode ser diferente. E é justamente nesse contexto que as ideias da simplicidade e da racionalidade crescem de importância.