Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Numa semana relativamente calma para os padrões usuais, a notícia que ocupou as maiores manchetes teve como personagem central, mais uma vez, o presidente da República, agora com o anúncio de que está contaminado com o coronavírus.

Algo bastante irônico para alguém que chegou a definir a pandemia como uma “gripezinha”, mas previsível face a seu comportamento e consequente exposição.

Resta esperar que se cumpram os prazos de protocolo médico e que o presidente, que ao confirmar o resultado dos exames se disse assintomático, não venha a sofrer maiores complicações, como felizmente acontece com larga maioria dos infectados.

Com a saúde presidencial no centro dos holofotes, ganhou pouca atenção notícias de que a indústria deu sinais de reação no mês passado, consequência direta da volta, ainda que parcial, das operações nas fábricas de automóveis e, para alguns observadores, sinal claro de que, no tocante à economia, é possível dizer que o pior já passou.

Tomara que sim, sobretudo se as curvas que registram a progressão das contaminações se mantiverem em declínio, condição que faz o ministro da Economia, Paulo Guedes, repetindo o linguajar de seus colegas economistas, sustentar que a recuperação da economia brasileira poderá ser em V, em que a segunda perna da letra indica que depois da queda brusca a ascensão poderá ser também rápida.

Mas transformar o sonho do ministro em realidade demanda uma mudança de comportamento que ainda não é visível. Trata-se, em linguagem ao mesmo tempo direta e simples, de enxergar, de fato, o tamanho do tombo para então perceber que o esforço para levantar terá que ser diferente, demandando em primeiro lugar coesão em torno do objetivo que, com algum otimismo, deve ser entendido como comum a todos os brasileiros.

A partir desse ponto, e como temos insistido neste espaço, o entendimento claro e objetivo de que é preciso fazer diferente, numa estratégia de combate que teria como primeiro alvo a burocracia, aí entendida como tudo aquilo que, dito de outra forma, significa hostilidade a quem investe, trabalha e produz.

Bastaria esta atitude, que no final das contas não custa nada além de vontade política, para acelerar o processo, tanto melhor se simultaneamente fossem atacadas as reformas há muito prometidas, mas sempre adiadas, inclusive com o Estado sendo submetido a uma severa dieta, finalmente queimando as gorduras acumuladas durante tanto tempo.

E tudo isso culminando com o abandono de projetos de reeleição, de poder, substituídos pela ambição da construção de um projeto de Estado, capaz de nos devolver o sonho de ver o futuro chegar.