Crédito: Marcos Santos/USP

Na semana que passou o presidente Bolsonaro mencionou possibilidade de vetar a recém-aprovada, na Câmara dos Deputados, prorrogação da desoneração sobre encargos da folha de pagamentos de setores com ocupação intensiva de mão de obra.

A resposta do deputado Rodrigo Maia foi imediata e certeira, avisando que um eventual veto fatalmente seria derrubado. O episódio mostra a falta de timing da administração federal, que assim como parece não enxergar a devastadora pandemia que já ceifou mais de 60 mil vidas e igualmente vai devastando empresas e empregos. Tudo isso em proporções inéditas, demandando reações cuja intensidade nem de longe corresponde às proporções dos problemas a enfrentar.

O exemplo acima nada mais é que cabal demonstração de indiferença, incompreensão ou, no extremo, pura incapacidade. A mais elementar racionalidade sugere, na verdade impõe, face a circunstâncias que são de todo conhecidas e reconhecidas, respostas que sejam igualmente impactantes, que tudo seja feito no sentido de estimular a economia, gerando trabalho, renda, produção, consumo e, na ponta final, é claro, também receitas que contribuam para atenuar o, tecnicamente, colapso das finanças públicas no País.

Uma abordagem da qual, por horas, nem de longe se tem notícias, enquanto promessas como ampliação do crédito e redução de seus custos caem no vazio. Ou nos colocam na direção oposta, como na já apontada intenção de, em termos práticos, elevar a carga tributária.

Rigorosamente – e estamos apenas no campo da economia – o oposto do que deve ser feito, em resposta ao crescimento do desemprego que, em contas precisas e completas, indica que aproximadamente um quarto da força de trabalho está fora do mercado formal, das falências e do fechamento de empresas, tudo isso num ambiente que já é de recessão e antecipa queda do Produto Interno Bruto (PIB) em torno dos 10% neste ano.

Em resumo e como já foi dito, uma situação de guerra cujo enfrentamento requer, além de disposição e agilidade, medidas corajosas e impactantes, muito além dos limites do convencional, liberando a energia reprimida pelo Estado que custa caro e faz pouco.

Sendo assim, e como já cobraram muitos empresários, que o governo pelo menos não atrapalhe, pondo de lado ideias tão despropositadas como o veto sugerido com extrema infelicidade.