Créditos: Gil Leonardi/Imprensa MG

A economia de Minas Gerais apresentou um desempenho brilhante na segunda metade do século passado e resultados que, na década de setenta, ficaram bem além da média nacional. Assim, o modelo de desenvolvimento regional se transformou em referência, situação que se inverteu a partir da virada do século. Minas Gerais hoje se reconhece falida e seus horizontes são limitados pelo contingenciamento a que será submetido, caso prospere a renegociação de dívidas com a União, vista em certos círculos como a única saída.

Como já foi dito nesse espaço, pode ser diferente e é falsa a ideia de que o modelo que deu impulso à economia regional está esgotado e superado, ainda que careça de ajustes ditados pelas próprias transformações que ocorreram no período, que foram grandes e profundas. Estamos na realidade falando, ou propondo, apenas que se repitam conceitos básicos de gestão e de planejamento. São lições de história, que nos remetem a figuras como João Pinheiro, Milton Campos e Juscelino Kubitschek, sempre reverenciados, mas pouco imitados. Estamos lembrando também de Israel Pinheiro, que assumiu o governo estadual em 1965, em situação pior que a atual e sob pressão política que foi contornada com incrível habilidade.

Amarrado, quase prisioneiro e sem recursos ele dedicou o pouco que tinha justamente a estudar e planejar, chegando então ao “Diagnóstico da Economia Mineira”, construído sob liderança do economista Fernando Reis e do qual se dizia que pior que o diagnóstico era o prognóstico. Mas ninguém se intimidou, foram traçadas metas e um programa que seus sucessores, Rondon Pacheco, Francelino Pereira e Aureliano Chaves, tiveram a sabedoria de seguir, numa linha de continuidade cujos resultados, mais que festejados, merecem ser copiados.

Não se pode ignorar, por outro lado, que o governador Romeu Zema está bem próximo da condição de síndico de uma massa falida e limitado por tal circunstância. Alguém comparável a um bombeiro, mas que mesmo assim ganharia tempo se aproveitasse as boas lições apontadas aqui e que são amplamente reconhecidas. Afinal, queremos muito mais que reequilibrar as contas e melhorar a gestão, etapas que devem ser vistas apenas como uma estrada para o futuro. Buscamos, ou deveríamos buscar, um projeto que signifique avanços, que leve a modificações definitivas, com objetivos bem definidos, conhecidos e compartilháveis, alcançáveis pela competência e pelo esforço.

Está provado que é possível, que pode dar certo. Seguir este caminho representa também poupar tempo e recursos, ambos escassos, e não precisar reinventar a roda.