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Estrategistas e administradores costumam dizer que tomar uma decisão muitas vezes não significa escolher entre “isto ou aquilo” e sim entender que devem considerar “isto e aquilo”, devendo apenas determinar em que ordem.

Além de verdadeira, a colocação também se aplica ao dilema que o País – e o mundo – vive presentemente entre a duração e intensidade do isolamento social, que implica em virtual paralisação da economia, ou mudanças que signifiquem afrouxamento das medidas de controle, beneficiando a economia mas podendo colocar em risco a saúde e a vida de milhões de pessoas.

Um dilema universal, de forma geral tratado com bases racionais e o auxílio da ciência, ao contrário de se transformar numa questão política, como vem ocorrendo no Brasil e em alguns outros poucos países.

Conhecer a medida certa ou saber o melhor momento para o alívio absolutamente não é tarefa fácil e evidentemente os riscos, que certamente estão dos dois lados, serão perigosamente potencializados se não houver espaço para a razão, construída com conhecimento e foco.

Garantir saúde e atendimento médico a todos que dele necessitarem é ponto que não deveria estar em discussão, assim como sequer poderia existir a dúvida entre socorrer um jovem ou um idoso, se por hipótese não fosse possível acudir aos dois.

Por outro lado, e sem falsas ilusões, é preciso ter em conta que empresas paradas, sem produzir, vender e faturar, não têm como resistir por muito tempo. Ou encolherão, encolhendo também os empregos que oferecem, ou irão à falência, nessa hipótese levando o desemprego a um crescimento exponencial, o que no extremo também significa fome e morte, numa escala até então desconhecida. Eis o tamanho do problema, entre nós agravado pela falta de senso nas discussões ou, pior, sua transformação numa espécie de “cabo de força” político.

Nesse ambiente, só cabe chamar atenção para algumas vozes de bom senso, que reconhecem a necessidade do isolamento e propõem abertura gradual, bem planejada e por etapas, sob severo monitoramento. Propõem também quebra de paradigmas e previsibilidade, como horário alternado de funcionamento nas escolas e de trabalho, num escalonamento que evitaria aglomerações e facilitaria a mobilidade. Simplesmente trata-se de pôr em prática o “isto e aquilo”, com base no conhecimento e no melhor interesse coletivo, sem qualquer espaço para qualquer especulação ou exploração política.

Para concluir, estamos falando da racionalidade e da responsabilidade que, no caso brasileiro, está em falta, agravando ainda mais dificuldades que já são enormes.