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Um incidente, mais propriamente um ataque de proporções nunca vistas no País, atrasou e poderia ter comprometido o processo de votação e apuração das eleições de domingo último. Para que se tenha uma ideia mais precisa do acontecido, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luís Roberto Barroso, informou que foram detectadas até 436 mil tentativas de conexão simultânea, com objetivo óbvio de derrubar o sistema de informática nas últimas horas da votação.

Fora o atraso na apuração, fato inédito mas contornado, não houve maior prejuízo exatamente porque os computadores do TSE, exemplo agora testado de  segurança e agilidade, resistiram. Em resumo, ocorreu no domingo uma ataque cibernético que, segundo se apurou, partiu de computadores na Nova Zelândia, Estados Unidos e Brasil, ao que tudo faz crer patrocinado por grupos extremistas empenhados em desacreditar o sistema.

Não por coincidência, é claro, com a apuração quase totalmente paralisada, ocorreram simultaneamente disparos em massa pelas redes sociais, tendo como tema comum supostas fragilidades do sistema de votação e apuração, que não seria confiável. Por óbvio, ações anônimas mas cuja autoria pode ser identificada, provavelmente os mesmos que reclamam a falta de um recibo impresso quando da votação ou, pior, entendem que o sistema eletrônico deveria ser abandonado para a volta da votação manual, esta sim muito mais passível de fraudes. Ao fim e ao cabo a manobra acabou por ser também um teste de segurança para o sistema, que se saiu muito bem por conta de sua robustez e apuro técnico.

De qualquer forma, não se pode minimizar a gravidade do sucedido, conforme ressaltou, desde suas primeiras declarações, o ministro Barroso, que já na segunda-feira notificou a Polícia Federal, solicitando que seja investigada outra invasão ocorrida há dez anos e nunca apurada, mas divulgado só no domingo, como se tivesse acontecido agora, em mais uma tentativa de desacreditar o sistema. Por óbvio, existem suspeitas, confirmadas pelo presidente do TSE, de que tudo tenha sido resultado da articulação de grupos extremistas que, nas palavras do ministro, “se empenham em desacreditar as instituições e clamam pela volta da ditadura”.

Feito este primeiro diagnóstico, não se pode baixar a guarda, seja no sentido de assegurar a segurança do sistema, seja no de levar até o fim as investigações, num processo de rastreamento, que é exequível. Afinal, o ataque não foi apenas a computadores e sim ao coração do sistema político, que seria abatido caso os atacantes tivessem tido sucesso.