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Depois de aprovada pelo Senado, a nova legislação que estabelece controle sobre as redes sociais, especialmente no que toca à publicação de informações falsas, assim como distorções que promovam o ódio, tudo isso sob o abrigo genérico daquilo que se convencionou chamar de fake news volta à Câmara dos Deputados para apreciação final.

Quem conhece a matéria, quem sabe até que ponto as redes sociais e a própria internet abrigam lixo e podem estar provocando mudanças que a maioria não deseja, sabe a importância da matéria. E espera que, à semelhança do que vem acontecendo em países mais evoluídos, agora com a definitiva adesão de anunciantes que poderão ser decisivos na necessária correção de rumos, também o Brasil siga neste rumo.

É o mais provável, tantas são as evidências em desfavor dessas tidas “ferramentas”. Mesmo assim, existe quem alimente dúvidas, acreditando que o presidente da República, que, muito provavelmente mais um blefe, ameaça vetar o que considerar impertinente, possa ter força para impor sua vontade, defendida a partir de uma premissa absolutamente falsa. Mentirosa, fake.

Ele simplesmente se declara defensor intransigente da liberdade de expressão, diz entender que a imprensa, também nas suas novas formas, deva ser livre. Ele estaria absolutamente certo, fosse esta a questão em debate.

A ninguém, numa democracia pelo menos, é dada a liberdade de mentir, de publicar por meios for informações falsas, e sobretudo de buscar ganhos políticos a partir desses expedientes. Não por outro motivo, pesquisa de opinião já apontou que 75% dos brasileiros são a favor de controles tanto como são contra as fake news, sabendo muito bem que isso não tem nada a ver com liberdade de expressão e de pensamento.

Alguém, consciente e responsável, teria o direito de negar ou de defender o holocausto na Segunda Grande Guerra? Claro que não, assim como o exemplo não surge neste texto por mero acaso, mas sim para lembrar que as tais redes sociais abrigaram, ou abrigam, manifestações desse teor.

É de se imaginar que quem pense diferente, mira as facilidades que, mesmo ilusoriamente, as mentiras abrigam, da mesma forma que conhece muito bem a força de propagação das tecnologias que movem estes aparatos, dos quais restam poucas dúvidas que tenham influenciado o resultados de eleições passadas, no Brasil inclusive, e decisões tão importantes como a retirada da Grã-Bretanha da Comunidade Europeia.

Nos parecem argumentos mais que suficientes para que as fake news, seus patrocinadores e os robôs que as distribuem, independentemente de a quem estejam servindo, acabem no lixo, o lugar que, este sim, lhes pertence.