Crédito: Manoel Evandro

No mundo inteiro, mais uma semana de angústia e mortos a contabilizar, enquanto prosseguem os esforços para identificar e tratar os contaminados, além de providenciar o suporte para tal atendimento, tarefa muito provavelmente sem precedentes em escala global.

No Brasil, aparentemente acalmado com relação à questão da quarentena, afinal reconhecida como única forma de conter a pandemia dentro das possibilidades de atendimento do sistema médico, trata-se agora de definir como será paga, passada a tempestade, a conta resultante para indivíduos, para empresas e, claro, para o próprio Estado.

Será uma nova guerra, disso ninguém tem dúvidas, mesmo que também na semana que termina tenha sido anunciado o pagamento aos magistrados do Ceará de um adicional de 15% sobre seus proventos, por conta de estarem obrigados a trabalhar em casa, o que só não acontecerá por conta de veto em Brasília. Absurdo tão maior diante das demissões e redução de jornada, com corte equivalente nos salários, fantasma que ronda os trabalhadores do sistema privado.

Queiram ou não, tudo indica que, por absoluta falta de opção, está chegando a hora em que será preciso cortar na própria carne, como já se admite na Câmara dos Deputados, cujo presidente já mencionou a inevitabilidade de cortes.

Só se pode esperar que essa não seja uma ideia isolada e, sobretudo, que finalmente tenha chegado a hora de tratar dos marajás, estejam eles onde estiveram, donos de vantagens tão absurdas e despropositadas quanto o pagamento de auxílio-moradia a quem dispõe de casa própria e toda uma constelação de privilégios que podem ser legais mas não são morais e sim abusos que muito contribuíram a levar as finanças públicas a uma condição insustentável, agora agravadas ao extremo.

Quem for capaz de imaginar o que virá depois só pode concluir que, por bem ou por mal, muita coisa terá que mudar, aí incluído, principalmente na esfera pública, o duvidoso conceito de “direito adquirido”, muito utilizado para eternizar privilégios agora abatidos pela realidade.

Os gastos indevidos com pessoal representam a parte mais pesada dessa conta que ameaça pôr o País a pique. Não nos esqueçamos, contudo, de toda sorte de mordomias reservadas aos donos do poder, como mansões em Brasília, carros oficiais aos milhares, diárias pagas sem critério ou necessidade e, para os que estão no topo do poder, aviões também. Se formos todos vacinados com um mínimo de decência, chegou a hora própria para acabar com tudo isso.

Para que o Brasil, na dor, acorde para todos desatinos cometidos em seu nome e com seus recursos.