Crédito: Freepik

O coronavírus, agente da pandemia que ameaça devastar o planeta, ceifando vidas aos milhares e provocando a maior recessão desde 1929, é um inimigo invisível e ainda desconhecido.

A rigor, apesar do tempo decorrido desde as primeiras ocorrências na China, não se sabe com exatidão nem mesmo como se dá o ataque, nos pulmões, nos rins ou no cérebro, numa variação que intriga médicos e cientistas.

Da mesma forma, e apesar das medições realizadas, ninguém é ainda capaz de dizer como exatamente será a evolução da pandemia, se será possível enfrentá-la, com sucesso, evidentemente, através do uso de medicamentos ou se será preciso aguardar uma vacina, cuja aprovação milhares, ou milhões, de seres humanos não poderão esperar.

Muito provavelmente esta foi a conclusão mais relevante da reunião de emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS), realizada esta semana e que deu margem também à elevação da temperatura no conflito entre norte-americanos e chineses. Os primeiros, que chegaram inclusive a acusar a China de ter criado o vírus artificialmente, agora acusam o país de negligência, mancomunados com a OMS.

Na reunião, realizada por teleconferência, o organismo da ONU propôs que a vacina a ser eventualmente criada seja considerada “patrimônio da humanidade”, ideia que não foi aceita justamente pelos Estados Unidos, cujo presidente, no seu melhor estilo, lembrou os investimentos de seus laboratórios e as perspectivas de lucros. A China, ao contrário, prometeu que suas descobertas serão partilhadas com todos que assim desejarem.

Quando e se houver vacina, seria próprio acrescentar. Enquanto isso, ao lado de ações mitigadoras e algumas experiências com medicamentos já existentes, permanece o imponderável e, paralelamente, são discutidas ações comuns para reduzir os danos à economia e tornar a recuperação mais rápida e menos dolorosa.

Um clima de colaboração, que bem pode ser associado ao instinto de sobrevivência, no qual os europeus se mostram mais articulados e a China, novamente a China, mais participativa e atuante, inclusive ao garantir que não faltarão recursos para a retomada.

Ao Brasil, cujo alinhamento com os Estados Unidos, o presidente Trump voltou a dizer que não quer ver brasileiros contaminando seus concidadãos, podendo impedir proximamente que desembarquem por lá, convém acompanhar com muita atenção estes movimentos, considerando ainda ser possível escapar de um isolamento de nefastas consequências.

Porque não há como deixar de concluir que a extensão da pandemia e seu custo econômico demandarão colaboração e entendimento, em bases focadas e com a racionalidade que absolutamente não parece estar do lado de cá do Atlântico.