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Começou o horário político gratuito na televisão. No geral, um triste espetáculo, fazendo lembrar suas origens, quando o então ministro da Justiça Armando Falcão, mero cumpridor de ordens ainda que o fizesse com algum entusiasmo, tentava dar ventos de normalidade às eleições que então não passavam de farsa.

Ficou o pior, sem que o tempo cedido pelas emissoras de televisão – que não é gratuito – seja aproveitado para apresentação de propostas e projetos. Nem de longe e para isso, justo apontar, em muito também contribui o modelo, em que o que se pode esperar de um candidato a quem caiba 30 segundos é necessariamente proporcional a seu tempo.

Em suma, e como nas suas origens, uma farsa, um deprimente espetáculo que talvez também ajude a explicar o resultado de pesquisas que apontam como cada vez menor o interesse de brasileiros pela política, tal como ela nos é apresentada. Como nos debates, em que são copiados modelos e macaquices vindos de fora, a rigor ninguém se apresenta ou diz por que ou para que exatamente entrou na disputa por um determinado cargo.

O negócio é bater e acusar os oponentes o quanto for possível, numa conversa que, se tomada realmente a sério, apenas confirmará os expedientes mencionados. Curiosamente, e por óbvio, com o fogo concentrado no candidato que pareça ter mais chances e que, por sua vez, foge tanto quanto pode da exposição já sendo quase uma regra não falada que quem está na frente deixa os debates para os outros. Apanha muito e não tem nem que responder.

Faltam registros de que estas táticas não tenham funcionado e que as pesquisas de opinião, capazes de contar exatamente o que o contratante quer ouvir e, mesmo com as restrições e controles existentes, podem ter influência nociva nos resultados, são armas auxiliares nessa batalha sem tiros.

Para resumir, manobras muito bem articuladas, mas num enredo teatral e de baixa ou nenhuma credibilidade, embora dessa forma sejam formados os colegiados – câmaras de vereadores, assembleias legislativas, Câmara dos Deputados e Senado – em tese representantes dos eleitores, do conjunto da população e de sua vontade, assim autorizadas e supostamente equipadas para acompanhar e orientar integrantes do Executivo, oriundos desse mesmo contexto.

O resto é consequência, nos fazendo lembrar que desde a redemocratização é discutida no País uma reforma política, que deveria se antecipar às outras reformas. O que foi dito nos parágrafos anteriores explica por que a reforma, que da boca para fora todos defendem, não aconteceu, depois de o País ter sido governado por coligações  de centro, de esquerda e, agora, de direita, grupos diferentes, ferrenhamente opostos, todos servidos pelo mesmo sistema e personagens.