Crédito: Stéferson Faria

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, deve ter bola de cristal. E ela conta que a necessidade de petróleo vai acabar antes que as reservas se esgotem, o que significa que o Brasil pode se ver diante de um grande mico, sem destino para os bilhões de barris de petróleo alojados no pré-sal. Partindo dessa constatação, sem confirmação, é bom que se esclareça, Gouvêa Vieira recomenda que o País acelere a extração, o que, por sua vez, depende de avanços também no processo de leilões de concessões. Hoje, com uma produção média em torno de 2 milhões de barris/dia, o Brasil estaria perdendo, a cada dia de atraso dos leilões, pelo menos U$ 120 milhões, contabiliza o presidente da Firjan que, mantendo alguma discrição, não fez, ou não apresentou, contas para demonstrar o tamanho do prejuízo de seu estado, o Rio de Janeiro, com os royalties que deixa de receber.

Nas avaliações sobre o destino de suas reservas de petróleo, o País deve, necessariamente, tentar antecipar tanto quanto possível as tendências de oferta e demanda e, consequentemente, de preços. É certo que o uso de combustíveis fósseis, especialmente para alimentar motores de explosão, que movimentam veículos e mais contribuem para o aquecimento global, tende a se estabilizar e a diminuir. Em primeiro lugar, como já vem acontecendo, com a utilização de motores mais eficientes e, segundo, com a introdução, crescente, de motores elétricos e de combustíveis renováveis, como o etanol. Tentando, ainda, antecipar o futuro, também é possível imaginar grandes alterações na utilização do transporte individual, automóveis de passageiros, como o uso compartilhado, dentre outras possibilidades.

Caminhamos nessa direção, mas, para muitos especialistas, isto não quer dizer necessariamente que o petróleo perderá utilidade ou valor. Pode ser exatamente o contrário, com o óleo sendo utilizado principalmente na indústria petroquímica, capaz de gerar muito mais valor. Estamos falando de um futuro que pode não estar muito distante, mas, mesmo assim, na perspectiva proposta pelo presidente da Firjan, a questão mais imediata para o País não é necessariamente acelerar a extração, mas, sim, cuidar de ampliar o refino, tão rapidamente quanto possível, em bases suficientes para que seja atendida a demanda interna, livrando-se ao mesmo tempo de onerosas importações de combustíveis refinados, paradoxo para quem é autossuficiente na produção de óleo cru.

É evidente que os três pontos principais da cadeia – prospecção, extração e refino – não podem estar desconectados e este foi um erro que o Brasil cometeu, precisa enxergar e corrigir.