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EDITORIAL | Oportunidade de recomeçar

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Crédito: Pixabay

Antes da pandemia, a economia global já vivia uma situação que, vista na perspectiva de hoje, era de impasse. A recuperação pós-crise de 2008/09 custou trilhões de dólares, mas não produziu os resultados – e as transformações – esperados.

A economia não cresceu tanto quanto se esperava, mudanças mais sensíveis, capazes de frear a especulação financeira e estimular a produção e o comércio, foram indefinidamente postergadas e aos poucos foram sendo postas a nu.

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Não houve o crescimento esperado, o protecionismo e um nacionalismo deformado ganharam fôlego, tudo isso culminando com maior concentração da renda. Pobres mais pobres e ricos mais ricos seria um bom resumo da situação antes do ataque do coronavírus.

No momento é ainda o imponderável, senso suficiente lembrar que a situação ainda é crítica nos Estados Unidos e em países como Alemanha e Coreia parece fundamentado o temor de uma “segunda onda” de ataque do vírus. Paga-se em vidas, às centenas de milhares, paga-se com as incertezas econômicas, com previsões de uma recessão que poderá ser a maior já conhecida, seguida de uma recuperação provavelmente lenta, construída dentro das regras daquilo que já é chamado de “novo normal”. Certo é, dizem estudiosos respeitáveis, que como estava não poderá continuar.

Tal situação, como já foi dito nesse espaço e alhures, abre perspectivas que poderão ser muito positivas, mesmo que só alcançadas depois de uma travessia, alguns dizem que até 2022, outros mais à frente, que será necessariamente penosa e transformadora. Para o bem, espera-se, no entendimento de que os erros cometidos ajudem a compreender o sofrimento do presente e como resultado da perda de valores fundamentais, impondo as correções que reduzam o desequilíbrio, fazendo as curvas de prosperidade e qualidade de vida apontarem novamente para o alto, em bases mais gerais.

Este mundo novo e melhor está longe de ser uma utopia e tão próximo da realidade quanto a constatação de que a situação hoje está mais próxima da falência que da recuperação, tamanho o desgaste ocorrido, em grande parte, por falta de eficiência, tamanha as proporções da mobilização que o futuro próximo impõe.

Não estamos enxergando dificuldades e sim oportunidades, entendendo como possível em que todo o saber, toda a tecnologia e toda a riqueza acumulada ao longo dos tempos será de fato posta a serviço do homem, do seu bem comum. Avaliados os riscos, que estão presentes e são bem visíveis, qualquer outra hipótese soa despropositada.

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