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A pandemia do coronavírus colocou o planeta diante de desafios cujas exatas proporções são ainda desconhecidas, mas, fatalmente, próximas dos momentos mais delicados já enfrentados pela humanidade.

O futuro talvez nunca tenha sido tão incerto mas tal fato significa também oportunidade para recomeçar e, sobretudo, fazer melhor, aproveitando para dar melhor destino ao conhecimento e às riquezas acumuladas, tendo como objetivo central o bem comum. Poder ser uma utopia, é com toda certeza uma oportunidade.

Não é preciso repetir os dados que vêm produzindo, no mundo inteiro, desde o final do ano passado, crescente inquietação. Não é preciso recontar os mortos ou apurar as exatas proporções das sequelas que marcam muitos dos sobreviventes.

Não é preciso enxergar que a economia global está sofrendo um baque muito provavelmente maior que aquele representado pela grande depressão dos anos 30, no século passado. São os fatos que estão colocados e que são suficientemente conhecidos, produzindo um abalo sem precedentes, mas que também pode ser o impulso, afinal, para mudanças há tanto reclamadas.

É disso que nos fala, ou sugere, numa perspectiva mais próxima, a Associação Comercial de Minas, que, recordando as comemorações da Independência, no próximo mês de setembro, propõe o que chamou de Pacto Verde e Amarelo. Objetivamente, e como diz a entidade, resposta coletiva às enormes dificuldades que atingem com igual virulência a saúde pública e a economia, afetando as atividades produtivas em todos os planos, com perda de produção, trabalho e renda. Diante da realidade, num primeiro momento a Associação Comercial sugere reflexão para, em sequência, com ponderação madura e serena, tenhamos todos consciência de que só não podemos esmorecer.

Muito ao contrário, o momento demanda união, solidariedade e mobilização, gerando a força capaz de afastar as adversidades, impulsionando de pronto a recuperação, porém já com os elementos de convicção de que as transformações, tanto no planeta quanto na terra que habitamos, não podem mais ser postergadas, sob pena de que o desequilíbrio se torne incontornável, abrindo espaços para um retrocesso de insondáveis consequências.

Para nós brasileiros, sim, um pacto verde e amarelo, de resgate de valores esquecidos ou postos de lado, a começar no entendimento do sentido mais nobre e elevado da política, consequentemente da coisa pública. Na realidade, tal convicção é o que mais nos falta e sendo assim é também a resposta à altura dos desafios que estão colocados.