CRÉDITO: ARQUIVO DC Usada em 05-07-19 Usada em 18-10-19

As turbulências à frente, no campo da economia, ainda não podem ser mensuradas, mas é certo que serão fortes, figurando o Brasil dentre os países que provavelmente serão mais duramente atingidos.

Em Brasília, pelo menos na órbita do Ministério da Economia, este é o entendimento, ainda que para efeitos externos tudo seja colocado em termos mais suaves, faltando a franqueza, por exemplo, do governador Romeu Zema, que não esconde nem disfarça a periclitante situação das finanças mineiras.

E fora dos palácios predomina a convicção de que, com receitas e despesas correndo em direções contrárias, a correção de rumos fica cada dia que passa mais difícil e complexa, embora não alcance os gabinetes que hospedam excelências e toda a corte de funcionários, dos três poderes, cuja remuneração vai muito além do que é pago a seus pares na esfera privada.

Pior ainda, já vai muito além da capacidade de pagamento do Estado. Uma regra geral, antiga e agravada com o correr do tempo e que parece ter encontrado seu ponto de exaustão, o mesmo acontecendo, salvo honorabilíssimas exceções, nos estados e municípios, estes muitas vezes incapazes até de gerar recursos para pagar prefeitos e vereadores.

Por óbvio, um assunto bastante delicado, mas no qual nenhum político que dependa de votos põe as mãos, sabedor dos riscos que estaria correndo. Exatamente como está acontecendo agora, em que o anunciado congelamento dos salários de funcionários de estados que renegociam suas dívidas com a União seriam congelados, mas a decisão vai sendo protelada, à espera, quem sabe, de que os votos sejam colocados nas urnas para as eleições municipais. Igualmente protelada tem sido a anunciada decisão do presidente da Câmara dos Deputados, de impor um corte de 25% nos salários e na jornada de trabalho.

E quem se lembraria, justamente agora, de que existem no País mais de 5,5 mil municípios, cada um deles com prefeitos, seu vice, secretários e vereadores – estes últimos no total de 50 mil – que foi discutida, não faz muito, a fusão de municípios e até a extinção de pagamentos a vereadores – já foi assim! –, cujo trabalho seria entendido como voluntário.

Ou como argumentar quando estatísticas apontam que servidores públicos representam 13% dos trabalhadores brasileiros, mas recebem 23,9% da renda somada do conjunto de trabalhadores formais e informais, e sem o benefício da estabilidade.

Muito provavelmente não será exagerado afirmar, considerando as perspectivas para a economia e para o orçamento público, que estamos nos aproximando perigosamente do fim da linha, onde a solução virá por bem ou por mal.