Crédito: Liliane Bello

O mundo tem hoje 7,6 bilhões de habitantes, só a China e a Índia juntas vão dar quase a metade da população do mundo e agora a gente tem que considerar também a África, que está virando uma área populosa e já está com mais de um bilhão de habitantes e um crescimento ainda vertiginoso.

As projeções que fazem para o ano 2050, quando estudiosos imaginam que haverá uma certa estabilidade entre nascimentos e mortes na face da terra, indicam que teremos em torno de 9,7 bilhões de habitantes.

Muitos estudiosos ainda duvidam desses números porque os países asiáticos estão fazendo esforços para controlar a natalidade, inclusive a China.

Mas a África, nós que estamos trabalhando lá agora, estamos vendo, é difícil prever o futuro porque só 20% da população tem capacidade de consumo e o restante é miséria e fome, ainda em estado tribal.

Mesmo assim vamos considerar a África para então verificar que seremos em torno de 10 bilhões de pessoas em 2050. O grande drama que órgãos como a FAO, OCDE, Banco Mundial e outros estão estudando é que a situação alimentar passa a preocupar.

Quem alimentou o mundo durante 4 mil anos foi a agricultura temperada, que chegou praticamente ao esgotamento de sua capacidade de crescimento em termos de novas áreas e agora ela está na dependência de uma outra agricultura que surgiu, graças a Deus no Brasil nestes últimos 50 anos.

Os países tropicais não eram produtores competitivos, extraíam mais que produziam, sendo o Brasil, com o café e o cacau, o único exemplo diferente. O restante se limitava à extração da madeira, do látex da borracha. Agora não. Nós desenvolvemos aqui uma agricultura tropical confrontando com a capacidade competitiva das regiões temperadas.

Fomos capazes de recuperar áreas degradadas como o Cerrado, recompondo e refertilizando seu solo, fazendo-a a área mais produtiva e competitiva que o mundo tem hoje. Nós já ganhamos o mercado, não só atendemos o déficit que tínhamos, como a partir dos anos 80 conseguimos ir conquistando mercado, mesmo com os erros cometidos, de falta de visão e estratégia, de erros no comando da economia, e oito planos econômicos que foram um horror em termos de uma economia racional.

Assim surge a questão: se o Brasil não crescer, quem vai garantir a quantidade de alimento necessário, capaz de atender a demanda e as exigências do consumidor? Já somos, em volume e valor, os principais exportadores do mundo, ainda que Estados Unidos e China sejam maiores produtores. Mas eles consomem demais e estão no seu limite.

Portanto, quem vai ter que atender são os chamados biomas tropicais. Tudo isso ensina que não podemos parar e o grande lance agora é parar e pensar para irmos além das commodities, com foco nos alimentos saudáveis e garantidos, incorporando 4,5 milhões de propriedades que ainda estão fora do jogo.

Esse esforço é fundamental para que possamos atender à nova demanda, observadas as melhores técnicas e aproveitadas as oportunidades de processamento. Segundo a FAO, para atender a demanda de 2050 a produção terá que crescer 61%, com participação de 41% do Brasil nesse total, o que significa chegar à produção de 620 milhões de toneladas/ano e faturamento superior a um trilhão de dólares.

As palavras acima são do ex-ministro Alysson Paulinelli, reproduzidas sem pedir licença, para demonstrar, segundo ele, que se fizermos a coisa certa dá também para fazer o país que sonhamos.