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Crédito: Bruno Domingos/Reuters Usada em 16-07-19 Usada em 14-06-19 Usada em 10-05-19 Usada em 28-08-19 Usada em 16-10-19 Usada em 07-11-19 Usada em 28-11-19 Usada em 14-01-20 Usada em 04-03-20

Na esfera do Executivo, a estratégia para a reforma tributária mudou mais uma vez, denotando incerteza ou, na verdade, conforme alguns observadores mais acostumados com as sutilezas de Brasília, talvez pura e simplesmente a falta de um projeto.

No início da semana o ministro Paulo Guedes levou pessoalmente ao Congresso sua proposta, resumida ao que seria a versão cabocla do IVA adotado em outros países, e antecipando que a reforma seria apresentada aos poucos, fatiada. Já na quarta-feira surgia outra versão e, com ela, a promessa de que ainda na primeira quinzena do corrente mês será entregue proposta definitiva, pronta e acabada.

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O novo anúncio foi acompanhado da notícia de que o Ministério da Economia estaria propondo uma espécie de barganha, mantendo a sua versão do IPMF para, em troca, manter a desoneração das folhas de pagamento.

Mais uma vez as reações não se fizeram esperar. No mesmo dia, líderes empresariais denunciavam a absoluta insensatez de qualquer medida que possa onerar o setor privado quando, diante das proporções da crise que o País enfrenta e das incertezas que estão à frente, deveria estar sendo buscado caminho oposto, com estímulos efetivos aos investimentos, aos negócios e à geração de empregos.

Sentimento partilhado pelo deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, que na mesma tarde cuidou de lembrar que não existe ambiente para as pretendidas mudanças, frisando que a saída natural para a falta de recursos estaria na reforma administrativa, com redução de despesas que, estas sim, compensariam a falta de recursos e daria forma realística ao ajuste fiscal, com o déficit agora substancialmente agravado pela queda da arrecadação e aumento de gastos em função da pandemia.

As ponderações feitas na sequência dos movimentos ensaiados a partir do Ministério da Economia nada mais representam que um novo apelo ao bom senso, com claro entendimento da gravidade e proporções dos problemas que afetam a economia do País.

Nada que possa ser resolvido com acomodação e sem quebra de paradigmas, o que significa reconhecer que o Estado brasileiro foi transformado num monstrengo caro, pesado e ineficiente, incapaz de cumprir suas funções elementares. Nesse reconhecimento, que supõe também o entendimento de que a sociedade não tem mais como bancar tantas e tamanhas deformidades, esta a resposta necessária e esperada, a única possível.

Infelizmente, nada que até agora tenha sido ouvido, da parte dos gestores públicos, com a clareza e contundência que a realidade reclama.

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