Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Pelo menos para efeitos externos, o Palácio do Planalto, sobretudo depois dos votos favoráveis na Comissão de Constituição e Justiça, dá sinais de confiança com relação ao encaminhamento de sua proposta de reforma do sistema previdenciário.

Admite algumas concessões, diz que está pronto para ouvir e negociar e espera uma decisão final ainda no primeiro semestre. Para o governo, se acontecer, será a virada de chave, o sinal que investidores sem pouso seguro para seu capital estariam aguardando.

Fora dos jardins do Palácio, entre os agentes econômicos mais relevantes, o entusiasmo já não é tão grande. No geral, entende-se que o novo governo perdeu um tempo precioso, faltando-lhe coordenação e real capacidade de articulação.

A reforma passa, imaginam, mas dificilmente será a necessária, aquela que imagina o ministro Paulo Guedes e em dez anos geraria economia de um trilhão de reais. Lembram também que a alta administração se ilude, ou vende a ilusão, de que começar a reequilibrar a Previdência Social é o fim de todos os males.

Longe disso, infelizmente, e é fundamental que a parcela da sociedade que defende e aposta na reforma como sinal de partida tenha consciência da realidade. Dela nos lembra, em recente entrevista, o economista Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central com um argumento definitivo: Feitas as contas e imaginando-se que tudo corra relativamente bem, com a reforma gerando um economia de R$ 70 bilhões por ano, será o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB), número relevante mas ainda distante do equivalente a 5% do PIB, que seria o necessário.

“Temos que ver o que vem além disso”, resume Fraga, lembrando que a fragmentação política persiste ou até aumentou, enquanto o Executivo dá sinais contraditórios que acabam por reforçar as incertezas e, por consequência, a desconfiança.

Diante das circunstâncias, não é de se estranhar que as previsões para a economia continuem sendo revistas para menor ou que até os números relativos ao desemprego tenham piorado.

Imaginava-se que o Produto Interno Bruto (PIB) poderia crescer este ano 3% ou até um pouco mais e chegamos ao quinto mês de 2019 sem coragem, ou elementos de convencimento, para apostar em qualquer coisa maior que 2%, talvez até menos, ficando, portanto, mais uma vez adiada a arrancada que muitos davam como certa.

A esperança, que não se pode abandonar, é que estes prognósticos sejam também sinais de alerta, menos para o mercado e mais para o próprio governo.