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Opinião
Crédito: Washington Alves / Reuters

A chamada Operação Lava Jato ou, mais amplamente, as diversas frentes de combate à corrupção no País produziram efeitos colaterais que, queiramos ou não, e independentemente de inclinações políticas, devem ser tomados em conta. É evidente que não se pode tolerar um processo que se tornou sistêmico, contaminando o setor público e, claro, em larga medida alimentado ou em conluio com parte do setor privado. A questão, se encarada de frente, é impedir que o processo seja contaminado, pelos mesmos interesses que se pretende combater, apenas, e no máximo, com uma inversão de papeis. Como já foi dito aqui mesmo, trata-se de evitar, de impedir, que as ambições continuem maiores que as virtudes.

Esta rápida introdução nos leva a outra questão. Está claro que o processo produziu perturbações políticas, ou institucionais, indesejáveis e prejuízos cujos montantes, feitas todas as contas, muito provavelmente serão ainda maiores que a rapinagem que parece não ter tido limites. Por exemplo, apenas para ilustrar, quanto custou e quanto custará ao País o virtual desmantelamento de sua indústria de construção pesada, que chegou a ter projeção internacional, e hoje está reduzida a uma sombra do que já foi. Empresas importantes desapareceram de uma forma ou de outra, muitas encolheram drasticamente. Quem sobreviveu está ainda enfrentando processos judiciais, além de multas que somam muitos bilhões de reais.

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Por outro lado, as contingências mencionadas ajudaram, e muito, a provocar a paralisação de obras, hoje abandonadas, fazendo ainda maior o prejuízo. É nesse contexto que surge uma proposta interessante, de que as multas aplicadas sejam convertidas em acordos com as empresas atingidas e transformadas no compromisso de conclusão das obras que permanecem inacabadas e, quase todas, abandonadas. Em princípio faz todo sentido, na medida em que ajudaria a reduzir as perdas que o Estado sofreu e, com os cuidados devidos, daria às construtoras chances mais reais de cumprir o que lhes foi determinado.

Fora desse caminho seria mais sensato acreditar que, mais uma vez, ficará o dito pelo não dito, ainda que com as grandes construtoras – e a própria engenharia brasileira – condenadas a um inevitável colapso. Perderia também, é evidente, o Estado brasileiro, que não teria como recuperar os investimentos realizados, o mercado de trabalho com chances de ganhar enorme impulso, e toda a cadeia de fornecedores, igualmente muito afetada. Em suma, vale muito a pena avançar na construção dessa proposta.

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