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A semana que termina reforçou a ideia de que o País convive, simultaneamente, com uma crise sanitária de proporções inéditas, com uma crise econômica que está muito perto de ceifar um milhão de empregos e produzir recordes de falências e fechamentos de empresas e, como se já não fosse o bastante, com uma crise política igualmente de perspectivas sombrias.

Agora tendo como pano de fundo as investigações sobre as chamadas fake news, que muito provavelmente influenciaram os resultados das últimas eleições presidenciais e continuam produzindo perturbações absolutamente indesejáveis, inclusive um processo de contaminação do qual provavelmente poucos grupamentos políticos escapam.

Como já foi dito, é o conhecimento e a tecnologia utilizados para o mal, disseminando inverdades, impedindo um debate saudável e construtivo, dificultando até mesmo que a abordagem da pandemia seja pautada exclusivamente pelo conhecimento médico e científico.

Quando é cabalmente confirmado que grupos e partidos políticos, aí incluídos os que estão no poder, fazem dessa tecnologia sua principal arma, tentando moldar a realidade à sua conveniência, fazendo-o através de robôs, mantidos e operados por empresas que são pagas para cumprir essa odiosa tarefa, o debate político acaba comprometido, se não anulado pela mentira apresentada como verdade.

Um fenômeno, sabemos, que não é apenas brasileiro, que pode até ter, surpreendentemente, transformado russos e norte-americanos em aliados, com os primeiros influenciando o processo que levou Donald Trump ao poder.

É o bastante, entendemos para dar um fim às fake news, que absolutamente não podem ser confundidas com liberdade e direito de expressão, argumento raso do Procurador-Geral da República na tentativa de engavetar o processo de tramita por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), com integral apoio da Justiça eleitoral, enquanto, e sintomaticamente, estão paralisados na Câmara dos Deputados os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o mesmo tema.

Avançar no caminho da verdade e da responsabilização de todos quantos, independentemente de suas respectivas correntes políticas e ideológicas se utilizaram impropriamente desses instrumentos, é ponto elementar de defesa da normalidade política, dos valores éticos que a sustentam e, dessa forma, da própria democracia. Inaceitável é pensar ou agir de outra forma, aí sim comprometendo a liberdade de pensamento e de expressão.