Crédito: Alisson J. Silva/ Arquivo DC

A inauguração da Fiat Automóveis, hoje FCA, em julho de 1976, é tomada como marco de significativas transformações na economia regional, coroando esforços iniciados na década anterior. Em Belo Horizonte, a inauguração do Othon Palace, dois anos mais tarde, pode ser apontada como uma das expressões dessa transformação.

Minas e sua capital estavam no centro dos acontecimentos, modelo no plano econômico, enquanto no primeiro polo automotivo instalado fora de São Paulo iniciava-se o programa de mineirização, com atração de um parque de fornecedores que nos anos seguintes teve um impacto talvez ainda maior na economia regional.

Nos anos 90 do século passado teve início uma terceira onda de investimentos na indústria de transportes e tudo parecia preparado para a consolidação do polo mineiro, com a chegada de novas montadoras, aproveitando as facilidades já disponíveis no entorno da Fiat. Era a lógica, era o esperado, o racional, mas não foi o que aconteceu. De início, faltou mobilização para atrair os que estavam chegando, faltou força e interesse político e faltaram também argumentos de convencimento. Depoimentos da época, off the record, levam à conclusão de que os mineiros foram menos criativos e menos ágeis nas negociações, ao mesmo tempo em que já eram evidentes, por exemplo, as limitações de logística.

Minas perdeu grandes investimentos, perdeu talvez a maior das oportunidades que já teve, e virou o século num processo de declínio econômico, não atraiu desde então nenhum novo empreendimento de grande porte e teve que conviver com a fuga de empresas para estados limítrofes, em busca de vantagens fiscais. Desse processo de empobrecimento, não percebido nas esferas públicas, onde os parcos recursos disponíveis em pouco tempo bastavam quase que tão somente para quitar as folhas de pagamento de ativos e inativos, mas ainda assim permanecia a gastança, resultou num déficit fiscal cujas proporções hoje colocam Minas Gerais numa das piores posições entre as unidades federativas.

Em Belo Horizonte, o prédio do hotel Othon Palace, fechado há dois anos, não encontrou compradores em leilão recentemente realizado e seus proprietários anunciam que buscam “outras alternativas” para o imóvel. Uma imagem muito forte, inclusive para demonstrar que o movimento de retomada pode ser classificado como um tanto tardio tanto para o Estado quando para a cidade. É preciso enxergar e compreender para fazer diferente ou, como foi dito recentemente neste espaço, que tão importante quanto cortar e racionalizar gastos é aumentar receitas, é embicar Minas Gerais novamente na rota do sucesso.