Rumo para a economia
Empresários brasileiros estão intranquilos e não apenas por conta das incertezas debitadas presentemente à conjuntura externa. Pesam também nas avaliações questões internas para além do quadro político e elevação de tensões por conta da aproximação da eleição presidencial. Nomes relevantes no mundo dos negócios se dizem pessimistas, não esperam para o ano resultados empolgantes colocando em primeiro plano nessas avaliações o acesso ao crédito e, evidentemente, o custo do dinheiro. Mas não é tudo. Lembram – mas sem usar a expressão que parece ter caído em desuso – o Custo Brasil reclamando medidas para distensionar o ambiente, favorecer investimentos e pavimentar o caminho da volta do crescimento a níveis de efetiva recuperação.
Entendem basicamente que existem presentemente condições objetivas para que a economia seja destravada e apontam na direção de um outro ponto que andava esquecido. As tais reformas estruturais, das quais não se fala mais, precisam voltar ao centro das discussões, com espaços para que sejam debatidos temas como a reforma trabalhista, fora da equação perversa em que os salários são magros, mas a conta final é anabolizada sem que isso represente ganhos efetivos para uns e outros. Paradoxo do qual se pode dizer que guarda semelhanças com os tais penduricalhos tão discutidos ultimamente por conta de abusos transformados em normas correntes no serviço público.
São afinal desafios que desnudam a baixa competitividade da indústria brasileira, que demanda fôlego também para enfrentar desafios como a efetiva incorporação da inteligência artificial no ambiente. Fortalecer o setor produtivo significaria também azeitar as rotas do comércio internacional, mitigando os efeitos da crise e das mudanças compulsórias que vêm acontecendo. Também a insegurança jurídica nas suas mais diversas manifestações está colocada no rol das preocupações recorrentes para empresários brasileiros e se completam com a constatação de que o desequilíbrio fiscal não pode permanecer sem que seja efetivamente reconhecida a necessidade dos governos – federal, estaduais e municipais – de impor disciplina aos gastos públicos.
Para concluir, é muito interessante notar que cada um dos pontos colocados a rigor não incorpora aos debates qualquer ponto novo. A receita é aquela mesma já muitíssimo bem conhecida dos brasileiros. Para deixar claro que sabemos o caminho, faltando somente vontade política para avançar, devolvendo ao Brasil melhores condições para reencontrar seu rumo.
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