José Eloy dos Santo Cardoso*

A desaceleração da economia mundial provocada, entre outras causas, pela guerra comercial que os Estados Unidos travam contra a China possui várias consequências que ainda perduram. A indústria automobilística é apenas um dos problemas. Quando a China deixa de importar os carros de luxo fabricados nos EUA, ou os taxam com alíquotas elevadíssimas.

Em troca, Donald Trump eleva o quanto pode as tarifas de importações de produtos chineses. É bom dizer que, dentro de um produto como os celulares fabricados nos EUA existem peças que, em sua quase totalidade, foram fabricadas na China. Nessa guerra, todo mundo grita e ninguém tem razão.

O próprio Fundo Monetário Internacional (FMI) já mostra preocupações e o mundo inteiro também sofre, embora indiretamente. No caso brasileiro, o presidente dos Estados Unidos já se mostra disposto a ajudar, inclusive, através da ajuda de combate às queimadas que prejudica o Brasil e, também, outros países nas imediações. O presidente norte-americano mostra suas simpatias pelo presidente brasileiro Jair Bolsonaro mas, também, está exigindo contrapartidas. É assim que funciona.

As incertezas mundiais paralisam, de modo geral, investimentos generalizados, porque os empresários calculam que também sofrerão consequências desse imbróglio. Os movimentos chamados defensivos nos mercados financeiros mundiais refletem tanto nas ações de empresas que são negociadas em bolsas de valores como moedas e títulos das dívidas públicas ou privadas.

De modo geral, os empresários ficam com um pé atrás e outro na frente, como costumamos dizer, quando tentam tomar qualquer decisão de investir neste ou naquele país, porque, os dois mercados mundiais que são Estados Unidos e China hoje determinam tudo que possa ocorrer na economia mundial.

Na terra do Tio Sam existe a redução dos rendimentos dos títulos da dívida pública quando determinam taxas de retorno esperadas menores do que ocorreria. Quem mantinha títulos da dívida pública americana que renderiam x% no período, com menores operações das empresas tanto nos Estados Unidos quanto na China, as quedas de operações em ambos os lados provocam baixas nos retornos. A guerra comercial entre aqueles países, além de provocar sequelas econômicas locais, provocam, por tabela, danos gerais nas demais economias mundiais.

Os papéis quando pagam menos juros ou até negativos provocam incertezas ou pessimismos que refletirão na atividade econômica internacional. Só nos Estados Unidos são US$ 15 trilhões de aplicações com juros negativos a indicar incertezas e buscas de segurança que fazem baixar os lucros dos investidores.

Alguns economistas mundiais estão até prevendo nova recessão global já a partir de 2020. Trump já se preocupa em relação à chinesa Huawei, que já vai tomando mercados da norte-americana Aple, que usa a maçã com uma mordida como símbolo, e da sul-coreana Samsung, que, no seu interior, é tudo fabricado na China. O que acontecerá é difícil de se prever. Assim como o resto do mundo, o Brasil também está preocupado com essa situação.

*Economista, professor titular de macroeconomia da PUC-Minas e jornalista