Crédito: Divulgação

Cesar Vanucci*

“O Brasil estava à nossa frente, tinha-se que correr atrás dele. Juscelino substituiu o vício da dor pela pedagogia do prazer.” (Cacá Diegues, cineasta)

Faz bem ao espirito e ao coração relembrar JK. Recordar os tempos em que ele gerenciava os negócios públicos em nosso país. Tempos bastante diferentes dos de hoje. O Brasil anda triste, pessimista.

Não consegue vislumbrar, no horizonte próximo, por ausência de iniciativas e projetos, a retomada do desenvolvimento econômico com seus benfazejos desdobramentos sociais.

Na era jusceliniana, havia esperança, alegria, otimismo. Em todos os cantos eram avistados canteiros de obras anunciando o progresso, trazendo empregos à mancheia.

Quando JK morreu, num acidente que suscitou muitos questionamentos, a Nação inteira parou para dar adeus ao seu filho dileto, estadista de escol, um cara bom de voto e bom de obras. “Deus pegou um século e pôs a maior parte dele no colo do Nonô de Diamantina”, registrou, liricamente, o jornalista David Nasser.

O presidente do sorriso franco e aberto deixou-nos, como herança, obras de vulto, definitivas, exemplos vitais, ideias que não morrem, inspirações para as lutas em favor das transformações que a sociedade brasileira ardentemente almeja.

As constantes homenagens de saudade à volta de sua lenda pessoal têm o significado de um julgamento consagrador. Sua figura sai aureolada da avaliação. Entre seus adversários, alguns poucos, mais moderados, têm os nomes associados, de certo modo, a um que outro momento na crônica das realizações brasileiras.

Já os mais raivosos, quando eventualmente citados, ficam vinculados apenasmente a episódios marcados pela intolerância e insensatez. A história costuma não se revelar condescendente com a ignomínia.

JK é, no sentimento das ruas, símbolo de muita coisa. De progresso. De crescimento econômico, abundância de empregos, justiça social, diálogo e concórdia. De intransigência na defesa da soberania nacional.

De projetos arrojados na construção humana. De democracia interpretada como instrumento insubstituível na atuação política. De altivez cívica e de nacionalismo autêntico.

Por isso, suas ideias continuam sendo, ao mesmo tempo, a inspiração e o fanal de um Brasil que abomina a recessão, o desemprego; que repele a intromissão estrangeira em seus negócios; que exige fervoroso respeito no trato da coisa pública e que repudia as fórmulas discricionárias no exercício do poder.

Por essa razão, admitindo como legítimo o registro, do saudoso jornalista Carlos Chagas, segundo o qual “Já não se faz mais JK como antigamente”, a sociedade continua a procura de um novo Juscelino. De um líder com suas características.
Muitos compatriotas soltam, a partir daí, as rédeas da imaginação.

Em postos de observação que lhes permitam descortinar a paisagem político/administrativa, esticam ao máximo os olhares perquiridores. De maneira a ampliar a capacidade visual, utilizam até binóculos potentes, daqueles que ajudem enxergar objetos em escuridão de breu.

Com disposição, espírito bem aberto, sem prevenções quanto a pessoas ou correntes partidárias, entregam-se à tarefa de localizar, na amplidão do cenário contemplado, personagens providos de carisma, com potencial de liderança que exale luminosidade o bastante para aclarar caminhos. Abrir clareiras. Motivar multidões. Olhar (ou ouvir, como propõe o poeta) estrelas e dar rumo ao navio.

O distinto patrício que nos honra com a leitura desta despretensiosa fala haverá de concordar conosco. Tá difícil pacas levar a cabo com sucesso a tarefa. Ou seja, encontrar alguém que lembre ligeiramente JK. No panorama esquadrinhado não despontam referências animadoras.

Fritjof Capra, físico e escritor austríaco que se tornou celebridade mundial com seu “Tao da Física”, cunhou esplêndido conceito na busca de novos rumos para uma humanidade confusa. O conceito encaixa-se magistralmente nesta hora de incertezas políticas.

“Aquilo de que necessitamos é um novo paradigma, uma nova visão da realidade; uma mudança fundamental dos nossos pensamentos, percepção e valores”, diz ele.

Essa ausência (que todos almejamos temporária) de lideranças leva ao reconhecimento da necessidade de serem refeitas equivocadas práticas encampadas sem vacilações pelos agrupamentos partidários. Todos eles, infelizmente, sem exceções honrosas, implicados de algum modo em malfeitos que empobrecem nossa história.

As encrencas criadas clamam por mudanças essenciais. A saga JK é um fervedouro de ideias fecundas para se chegar à transmutação de processos que nos favoreçam galgar patamares superiores na conquista plena do bem-estar social.

Encurtando papo: no jeito de ser e de fazer de JK, um soberbo contemporâneo do futuro, encontramos o paradigma ideal para as transformações tão desejadas.

*Jornalista (cantonius1@yahoo.com.br)