Crédito: DJI-Agras/Pixabay

Rafael Dal Molin*

O agronegócio representa cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do País, sendo de fundamental importância para a economia brasileira. Mesmo diante da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus, que vem provocando abalos significativos no mercado global, o setor tem resistido bravamente. Para se ter uma ideia, as exportações registraram alta de 15,3% nos primeiros cinco meses do ano, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). E não para por aí: de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra de grãos de 2020 pode chegar a 251 milhões de toneladas.

Além da desvalorização do real perante outras moedas – o que faz com que a compra da nossa produção fique mais atraente para outros países – a presença cada vez mais ativa da tecnologia no campo tem automatizado processos e tornado os negócios mais competitivos. Expressões como Big Data, Internet das Coisas (IoT), softwares, drones e aplicativos fazem parte da rotina dos agricultores, já que permitem que os gestores visualizem as propriedades à distância, controlem em tempo real o processo produtivo e tomem decisões mais assertivas, principalmente durante os momentos de instabilidade.

Assim como ocorreu em outros segmentos administrativos do Brasil, vejo que a Covid-19 abriu os olhos dos agricultores e pecuaristas para a transformação digital, uma vez que deixou em evidência o quanto uma gestão eficiente pode gerar impactos positivos em toda a cadeia do agro. A agricultura mecanizada, que nos últimos anos trouxe excelentes avanços em termos de tecnologia, tem contribuído para que as pessoas enxerguem os benefícios da digitalização dos processos, afinal, quem tem uma estratégia definida para executar na hora de uma emergência minimiza qualquer tipo de falha.

Boa parte das nossas propriedades ainda produz de forma bem tradicional, em um modelo familiar onde os netos estão administrando os negócios dos avós e a adoção de ferramentas ainda é bastante obsoleta. É fato que isso é um dos maiores desafios para a total profissionalização da gestão, mas destaco outro ponto também: a ausência da mão de obra interna. Tecnologias não funcionam sozinhas e é preciso que as pessoas aprimorem o uso das engenharias e soluções digitais: seres humanos operam as máquinas e alimentam com dados e informações a maioria dos sistemas.

Tecnologias voltadas para a gestão do agronegócio são indispensáveis para quem tem a intenção de organizar o empreendimento e encontramos no Brasil o que existe de mais avançado em termos de informática. Acredito que o mundo pós-coronavírus será muito mais preocupado com a questão sanitária, aspectos sobre origem e condições de alimentos, forma de preparação ou manuseio daqui para frente e só a transformação digital será capaz de impulsionar ainda mais o agronegócio. O setor possui especificidades que, se bem trabalhadas, possibilitam ganhos irreversíveis.

*Mestre em Computação Aplicada e Ciência da Computação e Diretor da Elevor rafael@elevor.com.