Crédito: Divulgação-Secretaria de Educação de Oliveira

Sebastião Alvino Colomarte*

Dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que, em 2019, o Brasil contava com 19 milhões de analfabetos. São pessoas com 15 anos ou mais, que não sabem ler e escrever nem mesmo um simples bilhete. Essa pesquisa mostra que o problema está concentrado em torno das pessoas mais velhas, com mais de 60 anos. Certamente, influenciam nesses resultados as desigualdades raciais e sociais. E a região Nordeste é campeã nesses quesitos.

Devido aos efeitos danosos da pandemia do Covid-19, muitos consideram que o ensino remoto, ou a distância, deve resolver todo o problema quando o assunto é educação. Mas não é bem assim. Outra vertente acha que essa modalidade de ensino é fraca. Também não, simplesmente é fruto da péssima qualidade do ensino de hoje.

Como educador, e membro fundador do Centro de Integração Empresa-Escola de Minas Gerais (CIEE/MG), sempre defendi um ensino de qualidade, seja ele público ou privado. O que ocorre é que entra governo e sai governo, apesar das promessas, a educação no Brasil nunca foi prioridade, sendo tratada como um bem supérfluo e que não rende votos. Não existe planejamento e a improvisação resulta em desastre. Educação boa é aquela minuciosamente planejada no médio e longo prazos.

Quanto ao ensino presencial ou remoto, creio que ambos devem continuar. Com tempo e investimentos, poderemos passar a limpo ambas as modalidades. Foi o que fez o Telecurso 2000, com aulas remotas pela televisão. Devemos deixar bem claro de que não podemos condenar as novas tecnologias, mesmo porque o ensino remoto tem sua origem no presencial e estão aí para ficar, mas precisam melhorar, e muito, a qualidade.

A Lei de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB) prevê que o ensino remoto pode ser administrado a partir do Ensino Fundamental, enquanto que na educação infantil as atividades on-line não são validadas. Acredito que para aperfeiçoar esse sistema será necessário promover alterações na legislação; fazer adaptações e/ou mudanças nos currículos; estabelecer novos critérios para a prática profissional; preparação adequada de professores para dominar as novas tecnologias, além da introdução de novas técnicas para o material didático.

Quanto aos professores, esses terão dificuldades em conciliar o trabalho em casa com a criação de seus filhos. Muitos terão que se adaptar às novas tecnologias e aprender a lidar com elas e isso pode afetar o lado emocional. Em relação aos alunos do Ensino Médio, esses normalmente têm conhecimento das novas tecnologias e podem caminhar sozinhos, desenvolvendo-se melhor com o ensino remoto.

Um dos graves problemas do isolamento social proporcionado pelo ensino remoto é a falta de convívio dos estudantes com os colegas e professores. Além disso, muitos jovens dividem a atenção no horário das aulas virtuais com as redes sociais. Há também a dificuldade de sanar dúvidas com o professor de maneira imediata. Nesse sentido, alunos mais tímidos terão impacto negativo na aprendizagem.

Não há dúvida de que ambos os sistemas estão aí para ficar. Lembro ainda que o profissional do futuro, para ter maiores oportunidades no mercado de trabalho, deve ter conhecimento inerente a sua área de formação, mas precisa ser multidisciplinar, flexível e saber lidar com os problemas.

*Professor e diretor-presidente do Centro de Integração Empresa-Escola de Minas Gerais (CIEE/MG)