Crédito: Freepik

Cesar Vanucci*

“O governo Bolsonaro precisa parar de choramingar.” (ex-ministro Antônio Delfim Netto)

Um giro pelas manifestações de analistas dos acontecimentos políticos, econômicos e sociais da atualidade.

Liberdade. Luiz Fux, ministro do Supremo Tribunal Federal: “A liberdade de expressão ocupa uma posição destacada no sistema constitucional brasileiro, dela derivando as demais liberdades, como por exemplo as liberdades de manifestação do pensamento (art.5°, inc.4), de  consciência e de crença (inc.6), de expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença (inc.9). O STF, calcado nessas garantias pétreas, consagrou a liberdade de imprensa sem qualquer condicionante, ao não recepcionar a vetusta lei de imprensa, erigida exatamente no período em que as liberdades públicas estavam suprimidas. Encarta-se nesse argumento protetor da liberdade de expressão a “vedação de toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”.

Desafio. Arminio Fraga, presidente do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS): “Um dos graves desafios do mundo pós-Covid-19 está no financiamento do setor público. As demandas são imensas e os recursos, escassos.” (…) “No caso especifico do Brasil, não vejo solução sem algum aumento da carga tributária pela via da eliminação dos elementos regressivos do Imposto de Renda e sem as reformas de longo prazo da Previdência e do Estado.”

Agroindústria. Antônio Delfim Netto, Ex-ministro de Estado: “Basta a verdade. O governo Bolsonaro precisa parar de choramingar e incentivar teorias conspiratórias.” (…) “Deixemos de lado, por um instante, a conspiração ‘interna e externa’ contra a nossa eficiente e competitiva atividade agroindustrial, resultado da intima cooperação entre o setor privado e políticas públicas, como o forte apoio da Embrapa, que inventou a agricultura tropical na segunda metade dos anos 60 do século XX. Hoje, ela é muito respeitada e temida por nossos competidores internacionais: EUA, Europa, Austrália, Argentina, todos fora dos trópicos.”

Centrão. Carlos Drummond, jornalista: “A aliança com o Centrão reanima a pauta ultraliberal de Paulo Guedes, mas, até agora, o ministro só produz espuma.” (…) “A derrota no Fundep e o pífio remendo de reforma tributária expõem a incompetência da articulação política.” (…) “O Centrão é pragmático e não totalmente vinculado ao sistema financeiro.” (…) “Parte das reformas exige três quintos dos votos do Congresso, apoio que o Governo não tem.”

Disputa. Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores: “Vai haver uma situação de disputa entre Estados Unidos e China inevitavelmente, porque temos uma troca de liderança, sobretudo da área econômica, com evidentes repercussões políticas, e isso vai gerar atritos e conflitos. Como vão ser esses conflitos eu não sei exatamente, mas acho que nesse ponto a eleição de Joe Biden (adversário de Donald Trump) pode fazer a diferença. Não que vá deixar de ter conflitos, mas a maneira de lidar com eles vai ter diferença.” (…) “O mundo vai se reestruturar, mas isso é muito complexo para resumir em poucas palavras. O que posso dizer é que ao Brasil não interessa tomar partido. O Brasil não tem de entrar na órbita de um ou de outro. Não só o Brasil, mas também os demais países em desenvolvimento, os emergentes. Até a Europa está vendo isso.”

Ortodoxia. Luiz Gonzaga Belluzzo, economista: “Embaralhar as relações entre gastos, renda, dívida pública e privada é um dos truques da Ortodoxia.” (…) “Uma conjuntura de redução de gastos de investimento e consumo só poderá ser contida com a intervenção do Estado, habilitado a incorrer em déficit e dívida pública nas recessões, e mais ainda nas depressões. A dívida pública invade os portfólios para garantir o valor e a liquidez da riqueza dos privados. Salvos da desvalorização dos ativos e das carteiras de dívidas que carregavam, os bancos privados e outros intermediários financeiros salvaguardam seus patrimônios, incorporam títulos públicos com rendimentos reduzidos, mas valor assegurado. O Estado, como gestor da moeda (e da dívida) susta uma desvalorização desastrosa da riqueza.”

*Jornalista ([email protected])