Crédito: Freepik

Bruna Norte*

Não resta dúvida, 2020 ficará conhecido como o ano em que o mundo parou e tudo ficará registrado com riqueza de detalhes nos jornais, conteúdos de redes sociais e futuramente nos livros.

E para contar a história de como conseguimos superar as adversidades, todos os setores da economia estão redescobrindo fórmulas, refazendo planejamentos e medidas para colocar na prática um plano “B”, na tentativa de amenizar os impactos. E também com a missão de ajudar os brasileiros, que tiveram suas atividades paralisadas, a reorganizar o planejamento financeiro.

As mudanças na Previdência Social e os juros baixos com os cortes da taxa básica de juros (Selic) despertaram o interesse de muitas pessoas em tomar conta do próprio futuro. Porém, o atual momento causou uma bagunça nas finanças de todos.

Segundo o estudo do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), 76% dos entrevistados acreditam que essa paralisação terá efeitos negativos nas finanças.

E já é possível perceber a mudança de comportamento do brasileiro que cada vez mais busca formas de poupar e investir. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), que ouviu mais de 3,3 mil pessoas de todo o País para conhecer os hábitos de poupança e de investimento da população, mostra que, para 31% dos entrevistados, a compra ou a aquisição do imóvel próprio é o principal objetivo de retorno das aplicações financeiras, 11% compra de carro, moto ou caminhão e 7% quer investir no próprio negócio.

Cerca de 33% conseguem guardar o dinheiro, número significativamente baixo, mesmo assim é possível visualizar boas oportunidades de negócios neste cenário.

Com o aumento da expectativa de vida e crise previdenciária mundial, o planejamento financeiro está se tornando prioridade no orçamento das pessoas preocupadas com uma vida longa e confortável.

O estudo global da Schroders Investor mostra que a Geração Milênio (18-37) é a mais preocupada em poupar para aposentadoria, seguidos pela Geração X (38-50), pós-guerra (51-70) e silenciosa (mais de 71). Além disso, a investigação revela que os jovens acreditam que podem ser convencidos a poupar ainda mais para aposentadoria.

O desafio das marcas agora é como se diferenciar e criar um portfólio de produtos que atendam as necessidades do cliente neste momento e também pós-pandemia. É necessário estar presente no cotidiano, estimular o conhecimento e se aproximar cada vez mais com transparência para mostrar possíveis cenários, um árduo trabalho de consultoria.

Com mais conhecimento e informação o indivíduo tem mais confiança para investir e comprar. É aí que alguns setores fizeram a lição de casa e se destacam mais por meio do conhecimento estimulado. Segundo o “Raio X do Investidor Brasileiro”, em relação ao ano anterior, em 2018, alguns produtos de investimentos se tornaram mais conhecidos entre os brasileiros.

A poupança passou de 31% para 90%, seguida da compra e venda de imóveis, com 83%, que subiu cinco posições. A previdência privada também subiu de patamar, chegando a 67%.

Consequentemente, alguns produtos foram impulsionados, por exemplo, o sistema de consórcio. O setor fechou 2019 com 26,5% de alta nos negócios, superando a casa dos R$ 134 bilhões, dados divulgados pela associação do setor.

A expectativa é que o segmento continue crescendo com demandas por financiamentos e performance dos setores de imóvel, construção civil, serviços e sustentabilidade. Outros produtos que se destacaram foram os fundos de investimentos (previdência, crédito, renda fixa e variável).

Este cenário mostra que existe um “mar de oportunidades” no meio dessa ansiedade por conhecimento e planejamento. Mas, para colher os frutos dessas projeções, o relacionamento com o investidor torna-se cada vez mais importante.

*Gerente de marketing de produto do Porto Seguro Consórcio