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Opinião

O encontro de FHC e Lula

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Crédito: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/Divulgação via REUTERS

Enorme a repercussão, na sexta-feira passada (21), do encontro de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e Lula por intermédio do ex-ministro Nelson Jobim. Segundo divulgado, no almoço foram discutidos temas afeitos ao Brasil, à democracia e à atuação do Governo Bolsonaro frente à pandemia.

Só os neófitos se espantam com essa aproximação, pessoal e política. Ambos – FHC e Lula – estiveram juntos em diversas ocasiões nas lutas pela reconquista da democracia e Lula apoiou a campanha de FHC para o Senado, em 1978. Ambos, contudo, distanciaram-se politicamente por conta de seus projetos pessoais e partidários, Lula como dirigente máximo do PT e FHC como fundador do PSDB. Numa das últimas declarações, FHC afirmou que, num eventual segundo turno contra Bolsonaro, votaria em Lula e isso não seria a primeira vez. É possível supor que tenha votado em Lula no segundo turno, em 1989, quando este concorreu com Collor. Com o impeachment instaurado e a renúncia de Collor, FHC ganhou evidência no Governo Itamar e, por isso, acabou, como ministro da Fazenda, protagonizando a confecção do Plano Real. FHC ganhou de Lula em 1994 e em 1998, ambas vitórias no primeiro turno. Lula, depois, ganhou, no segundo turno, dos tucanos, contra José Serra e Geraldo Alckmin, em 2002 e 2006, respectivamente. E Lula, ainda, fez a sucessora, Dilma, em 2010 e 2014.

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Não há, creio, processo de transmissão do poder mais democrático e com valores republicanos do que a passagem de FHC para Lula, em 2002. Por aposta política – e como uma das primeiras narrativas da fábrica lulopetista – construiu-se o termo “herança maldita” para caracterizar a Era FHC. O termo pegou a ponto de até mesmo os tucanos, em 2002 e 2006, esconderem FHC em suas campanhas. FHC ficou, por certo, com mágoas pela caracterização de seu governo como tendo legado uma herança maldita, mas entendia que era parte do jogo e, a cada pancada, devolvia com ironias e estocadas na direção dos petistas. E, quem diria, os petistas tiveram que se defrontar com a herança de Dilma, que, se não foi maldita, passa muito longe de ser bendita para o Brasil.

As redes sociais e parte dos jornalistas estão em polvorosa com o encontro dos dois maiores líderes políticos da Nova República. Há muita paixão e pouca razão em boa parte das reações. Muitos se perguntam: como FHC está ao lado de Lula que, até pouco tempo, estava preso? E, na esquerda, como Lula está ao lado daquele “neoliberal”, da “privataria tucana”? A resposta é simples: a questão é política, simplesmente política.

Parte substancial dos atores políticos, mormente dos democratas, entendem que um mandato a mais de Bolsonaro poderá, efetivamente, colocar nossa democracia e instituições republicanas em risco de uma anomia e desintegração. Assim, a fala de FHC ganha sentido: votaria em Lula por entender que o adversário a ser vencido é Bolsonaro. Todavia, FHC ressaltou que votaria em Lula caso o seu partido, o PSDB, não consiga acessar o segundo turno de 2022. Obviamente que o encontro e as declarações de FHC incomodaram o ninho tucano e isso não é novidade, também. FHC não está ativamente na vida partidária. É um dos intelectuais mais respeitados no mundo e, por isso, aos quase 90 anos, usa o farol alto e não desejos pessoais ou partidários. Alguns já asseveram que este encontro reordenará as forças bolsonaristas e que, por isso, PT e PSDB são iguais, farinhas do mesmo saco. A questão é que os bolsonaristas já dividiram a política em «nova» e «velha», aliás, como o lulopetismo já havia dividido entre «nós» e «eles». Para o bolsonarismo o Centrão, na campanha, era a “velha política”; mas, agora, na base do governo, é um conjunto impoluto de homens públicos que querem o bem do Brasil. O interessante é que Bolsonaro não consegue esconder o incômodo e acusa o golpe, afirmando, sobre o encontro: «um ladrão e um vagabundo». Bolsonaro e os seus já se deram conta que o projeto de poder está em risco e partirão para todo o tipo de ataque, sem dó, nem piedade.

A eleição de 2022 ainda está distante para o tempo da política, contudo, os movimentos já são evidentes e, no caso de Bolsonaro num segundo turno, talvez tenhamos conjugação da maior força de oposição, desde o Regime Militar, contra o projeto de poder bolsonarista. Política é diálogo, é a força do argumento contra o argumento da força.

*Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia | rodrigoprando.com
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